Setembro é o mês de prevenção ao suicídio  

Psicóloga ressalta a importância em discutir o tema, que gerou preocupação ainda maior na pandemia

Saúde & Bem Estar - ROBERTO KAWASAKI

Data 08/09/2020
Horário 04:00
Gabriela Oliveira - Setembro Amarelo visa conscientizar e propor discussão sobre o tema Gabriela Oliveira - Setembro Amarelo visa conscientizar e propor discussão sobre o tema Imagem: Gabriela Oliveira - Setembro Amarelo visa conscientizar e propor discussão sobre o tema

Conforme a OMS (Organização Mundial da Saúde), a cada três segundos, uma pessoa tenta cometer suicídio no mundo. Desses, uma morte é consumada a cada 40 segundos. A situação é preocupante, e se torna ainda mais grave diante do isolamento social, que “quebrou” as relações interpessoais de uma hora para a outra. A fim de conscientizar e propor uma discussão sobre o suicídio, até o final do mês serão desenvolvidas ações do “Setembro Amarelo”, que faz alusão ao tema. 
A psicóloga Cleide de Santana afirma que, atualmente, a tendência suicida não escolhe faixa etária, e pode acometer crianças, adolescentes, adultos e idosos, independentemente de classe social. “São pessoas que podem estar passando por um quadro de depressão, ansiedade, alcoolismo, luto”, explica. “Inclusive pela perda do emprego ou o fim de um relacionamento. São alguns dos gatilhos que podem levar o indivíduo a pensar em suicídio”. 
De acordo com a psicóloga, existe um preconceito “muito grande” em relação à saúde mental, o que faz com que as vítimas sintam dificuldades em aceitar que estão doentes, e isso as impede de procurar ajuda, seja a do psicólogo ou psiquiatra. Segundo Cleide, isso ocorre por receio da crítica e julgamento. “É importante dar visibilidade ao tema, porque conseguimos fazer discussões mais abertamente sobre o assunto”, expõe. “Não é levar ou incentivar o suicídio, mas mostrar que existe prevenção, cuidados e outras possibilidades de tratamento, até a cura”.  

Pandemia acentuou riscos

A psicóloga explica que o indivíduo com pensamento suicida possui uma patologia, e não necessariamente os sintomas podem ser unicamente de tirar a própria vida, mas, de querer sumir, dormir e não acordar mais, dizer que a vida não tem mais sentido. No período de isolamento social em razão da pandemia de Covid-19, a situação se acentuou por conta da solidão, que leva a um quadro de tristeza, depressão e desamparo, segundo explica a psicóloga.
“O ser humano é um ser social que precisa de contatos sociais, do afeto, calor humano. E com a pandemia acabou se agravando ainda mais”, lamenta. “Isso trouxe um desconforto muito grande e desafiador, pois foi tudo muito rápido o que aconteceu, uma quebra brusca”. E é nesse momento em que o apoio de familiares e amigos é de total importância, seja para perceber os sintomas, e oferecer algum tipo de ajuda. “Se sentir que está adoecendo e não mais realizando as atividades, vivendo da mesma forma como vivia e isso estiver prejudicando a saúde, é hora de falar sobre o assunto e conseguir nomear os sentimentos para buscar o tratamento”, orienta Cleide. 

SAIBA MAIS
O CVV (Centro de Valorização da Vida) realiza apoio emocional e prevenção ao suicídio, e atende voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. Basta ligar “188”. 

Foto: Arquivo

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