Os números divulgados pela Apas (Associação Paulista de Supermercados) revelam um cenário que combina dinamismo econômico e desafios estruturais. Na região de Presidente Prudente, o setor supermercadista mantém atualmente 634 vagas de trabalho em aberto, ao mesmo tempo em que segue ampliando sua contribuição para a geração de empregos formais. Trata-se de um retrato fiel da importância estratégica do segmento para a economia regional — e estadual.
Nos primeiros nove meses do ano passado, os supermercados da região criaram 165 postos de trabalho, superando o saldo registrado no mesmo período de 2024, que foi de 99 vagas. O desempenho acima da média estadual reforça o papel do varejo alimentar como um dos pilares da empregabilidade local, além de impulsionar o consumo e fortalecer a cadeia produtiva. Como destaca o diretor regional da Apas, Márcio Cavalaro, o crescimento reflete um compromisso contínuo com o desenvolvimento econômico e social da região.
O cenário estadual amplia ainda mais essa leitura. Mais de 2,8 mil estabelecimentos inaugurados em apenas nove meses de 2025 resultaram na criação de 18.870 empregos, um avanço expressivo de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o dado que chama a atenção — e preocupa — é a permanência de mais de 36 mil vagas abertas em todo o Estado. Ou seja, há oferta de trabalho, mas faltam profissionais para ocupá-la.
Essa contradição expõe um dos principais gargalos do setor: a dificuldade de contratação e retenção de mão de obra. Conforme observa o presidente da Apas, Erlon Ortega, o desafio vai além da abertura de vagas e exige investimento em qualificação, formação profissional e políticas eficazes de conexão entre trabalhadores e oportunidades. A atuação da entidade no fortalecimento de parcerias e programas de capacitação surge, portanto, como uma resposta necessária a um problema que é estrutural.
Outro ponto positivo revelado pelo levantamento é a renovação do perfil da força de trabalho. Jovens entre 18 e 24 anos já representam 34% das novas contratações, enquanto profissionais de 50 a 64 anos respondem por 24% das admissões. A recomposição entre diferentes faixas etárias sinaliza maturidade do setor, que passa a valorizar tanto a energia da juventude quanto a experiência acumulada.
O setor supermercadista mostra força, resiliência e capacidade de gerar oportunidades. Contudo, os números deixam claro que o crescimento, por si só, não resolve os entraves do mercado de trabalho. É preciso avançar em políticas de qualificação, valorização profissional e adaptação às novas dinâmicas do emprego. Somente assim será possível transformar vagas abertas em desenvolvimento sustentável — para as empresas, para os trabalhadores e para a economia regional.