Suicídio: Assunto deve ser abordado durante o ano todo

Professora e psicóloga Ana Paula Fabrin ministrou palestra sobre a temática através do Youtube

Saúde & Bem Estar - DA REDAÇÃO

Data 04/10/2020
Horário 05:32
Reprodução - Ana Paula: “A informação, a vigília, o cuidado com o outro e a quebra de preconceitos são alguns dos caminhos para evitar um suicídio” Reprodução - Ana Paula: “A informação, a vigília, o cuidado com o outro e a quebra de preconceitos são alguns dos caminhos para evitar um suicídio” Imagem: Reprodução - Ana Paula: “A informação, a vigília, o cuidado com o outro e a quebra de preconceitos são alguns dos caminhos para evitar um suicídio”

“Prevenção do suicídio. Assunto só para setembro?”. Foi com essa pergunta que a professora, psicóloga e especialista em Terapia Cognitiva Comportamental, Ana Paula Fabrin, conduziu a palestra sobre o tema, na tarde da última quinta-feira (24), através do canal da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista) no Youtube. A atividade, que integra uma série de ações propostas pela universidade em alusão à campanha “Setembro Amarelo”, levou os internautas a refletirem sobre a importância de se discutir o assunto durante todo o ano.

De acordo com a professora, a Unoeste vem trabalhando com o tema suicídio desde 2018 através da campanha de prevenção em setembro. Por esse motivo, ela revela que muitos a questionam sobre porque o assunto ter atenção especial apenas neste mês. “Eu sempre explico que as campanhas são realizadas em determinados momentos para chamar a atenção das pessoas. Porém, as ações da universidade sobre essa temática duram o ano todo. Acho muito importante que todos entendam isso, que falar sobre suicídio é o primeiro passo para a prevenção”, explica.

Ana revela que além dos fatores mais comuns de vulnerabilidade como perda de emprego, discriminação por orientação sexual, agressões psicológicas e/ou físicas, conflitos familiares, entre diversos outros, neste momento de pandemia da Covid-19 em que a população se viu em uma situação atípica, o isolamento social poderia ter se mostrado um influenciador para a problemática. “Sabemos que estamos em uma época de pandemia em que o convívio presencial fora de casa foi prejudicado e isso agrava, sim, alguns componentes de depressão e ansiedade. Porém, o que tem sido estudado, apesar de pesquisas ainda não serem conclusivas, as taxas de suicídio se mantiveram relativamente estáveis neste isolamento social. Há várias explicações para isso, mas uma delas é o aumento do convívio familiar dentro de casa, algo que geralmente não ocorria na rotina das pessoas. Talvez esse tenha sido um fator protetor”, exalta.  

Para agravar ainda mais o cenário atual, a professora conta que a contemporaneidade tem trazido fatores de risco como a globalização, a internet e as redes sociais. “Sabemos muito bem que em redes sociais é muito comum os usuários mostrarem uma vida muito diferente da realidade. Sempre é publicado o belo, o lindo e o feliz, e não se publica a resolução de um conflito, a aceitação incondicional de uma pessoa e a quebra de preconceitos, por exemplo. Há exceções, porém, em alguns casos essa exposição digital dos outros afeta sim a autoestima e há estudos comprovando inclusive que podem afetar algumas habilidades sociais das pessoas”, salienta.

Por fim, a psicóloga alerta em sua fala que nem todos os suicídios podem ser evitados, porém, a maioria pode ser prevenida. Este, inclusive é um direcionamento às famílias, de acordo com ela. “A informação, a vigília, o cuidado com o outro e a quebra de preconceitos são alguns dos caminhos para evitar um suicídio. Cabe às famílias procurar ajuda profissional, escutar e respeitar seu familiar, e principalmente não julgá-lo”, orienta.

 

Como reconhecer um pedido de ajuda?

A tentativa de suicídio não necessariamente é uma vontade da pessoa tirar sua própria vida. De acordo com Ana, em 400 casos em que ela atendeu, todos só queriam se livrar de um problema. Ou seja, o quadro se mostra como um pedido de ajuda. E como reconhecer esse pedido de ajuda? Alguns fatores a serem considerados:

- Mudança de comportamento repentino;

- Fixação do pensamento sobre o sentido da vida/morte;

- Posts sobre desesperança, sobre como gostaria de ser lembrado;

- Consumo repentino e exagerado de álcool ou substâncias ilícitas;

- Isolamento social profundo;

- Automutilação;

- Piora no desempenho escolar ou profissional;

- Mudança na aparência e na higiene pessoal; entre outros similares.

Para assistir a palestra da professora Ana Paula Fabrin na íntegra, basta acessar o canal da Unoeste no Youtube. Mais informações sobre a campanha “Setembro Amarelo”, materiais para downloads e canais de ajuda, através da página Suicídio Não, no site da universidade.

 

 

 

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