Transportador de glicose GLUT-4

Jair Rodrigues Garcia Júnior

Cem anos de insulina. Assim como outros hormônios, a insulina é imprescindível para a vida. Seu efeito no controle da glicose sanguínea foi descoberto em 1921 e rendeu o Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia ao canadence Frederick Banting e ao escocês John Macleod, em 1922. Décadas depois, o britânico Frederick Sanger identificou a sequência dos aminoácidos da insulina e recebeu o Nobel de Química, em 1958. Mas esse efeito da insulina depende de outra proteína, o GLUT4.

Glicemia
A concentração de glicose no sangue deve ser muito bem controlada e se manter na faixa de 70 a 100 mg/dL. Normalmente sobe após cada refeição, mas não permanece elevada por mais que algumas horas, caso contrário caracteriza início de diabetes. Essa é a importância do hormônio regulador insulina. Por outro lado, para não diminuir abaixo de 60 mg/dL, uma “condição perigosa” há os hormônios contra-reguladores glucagon e cortisol.

 

Captação
As células dependem da glicose para produção de energia e a captam do sangue por meio de uma proteína de membrana transportadora de glicose (GLUT1). Acontece que, em cada refeição consumimos carboidratos (fontes de glicose) além do que todas as células podem utilizar nas horas seguintes. A glicemia elevada faz as células Beta pancreáticas secretarem insulina, que estimula a captação do excedente de glicose por dois tecidos: o muscular e o adiposo.

 

Estimulo de insulina
Os músculos e as células adiposas possuem o GLUT4, que fica inativo quando a glicemia está normal, mas quando estimulado pela insulina migra para a membrana e permite a entrada de mais glicoses. Esse processo depende da insulina se ligar ao receptor na membrana e desencadear reações químicas intracelulares que ativam o GLUT4. Pessoas com esse processo prejudicado têm menor sensibilidade à insulina, por isso usam metformina (ex. Glifage) ou liraglutida (ex. Trulicity), esta última para aumentar a secreção de insulina.

 

Estímulo de cálcio
Além da insulina, o cálcio intramuscular é outro potente ativador do GLUT4. O cálcio aumenta na contração muscular e estimula o GLUT4, já que os músculos precisam captar mais glicose para produção de energia. Isso acontece sem aumento da glicemia ou da insulina. Além do estímulo agudo em cada sessão de exercício, o treinamento faz aumentar o número de GLUT4 e a sensibilidade à insulina nos músculos, quando das refeições e aumento da glicemia em repouso.

 

Terapia potente
A condição dos músculos de independência da insulina e eficiente ativação do GLUT4 pelo cálcio no exercício é uma grande vantagem para a administração do diabetes tipo 1 e 2. O fato de manter a sensibilidade à insulina, seja a natural do diabético tipo 2 ou a recombinante NPH usada pelo diabético tipo 1, também é muito bem vindo para frear a progressão da doença. Você não é diabético? Mesmo assim, faça exercícios e mantenha o peso adequado para diminuir o risco do diabetes tipo 2 no futuro.

 

 

O treinamento faz aumentar o número de GLUT4 e a sensibilidade à insulina nos músculos.

 

 

 

 

 

Veja também