Para quem passou décadas seguindo horários, compromissos e prazos, a ideia de se perder — no melhor sentido da palavra — pode soar libertadora. Foi exatamente isso que viveu Marco Passos, 60 anos, gestor federal de tecnologia aposentado de Presidente Prudente, ao passar uma semana imerso no Parque Nacional Terra Ronca, em Goiás.
“Cada dia parecia ter sua própria personalidade”, resume. E não é força de expressão. Em Terra Ronca, o tempo desacelera, os sentidos despertam e a natureza assume o comando.
O IMPACTO SILENCIOSO DAS CAVERNAS
Logo nos primeiros dias, Marco foi apresentado à grandiosidade que dá fama ao parque: as cavernas. A entrada na Terra Ronca I e II foi descrita como uma experiência quase espiritual. A luz natural, filtrada pelas bocas das cavernas, cria um jogo de sombras que contrasta com a escuridão profunda do interior.
“Cada passo ecoava como se a própria caverna respondesse”, relembra. Diante de formações rochosas moldadas ao longo de milhares de anos, a sensação era dupla: pequenez diante da natureza e pertencimento a algo maior.
TRILHAS QUE EXIGEM E RECOMPENSAM
No meio da semana, foram as trilhas que ditaram o ritmo. Caminhadas por áreas de cerrado aberto, matas de galeria e trechos pedregosos colocaram o corpo à prova. O calor intenso durante o dia era compensado pela brisa seca e pelas paisagens que se abriam a cada subida.
Do alto, o relevo ondulado de São Domingos e a vastidão do parque revelavam por que Terra Ronca é considerada um dos cenários naturais mais impressionantes do país.
ÁGUA COMO PRÊMIO
Depois de dias de poeira, sol e esforço, as cachoeiras surgiram como recompensa. A Cachoeira São Bernardo foi um dos pontos altos da viagem: queda d’água imponente, poço gelado e um som constante capaz de silenciar qualquer pensamento.
Em quedas menores e mais escondidas, o que predominava era o silêncio absoluto, quebrado apenas pelo som da água batendo nas pedras — “como uma música”, define Marco.
NOITES QUE AMPLIAM O OLHAR
Quando o sol se punha, o espetáculo continuava. Longe das luzes da cidade, o céu noturno se mostrava em sua forma mais pura. A Via Láctea, visível a olho nu, cortava o firmamento com uma nitidez rara.
“É o tipo de visão que faz você repensar o tamanho dos seus problemas”, reflete.
UMA EXPERIÊNCIA QUE FICA
Ao final da semana, o corpo voltou cansado, a roupa marcada pela poeira e as pernas pedindo descanso. Mas o saldo foi outro. “A alma voltou leve”, resume.
Para Marco Passos, Terra Ronca não é apenas um destino turístico. É uma experiência completa, que mexe com o físico, a mente e as emoções. Uma semana pode até parecer pouco, mas é suficiente para deixar marcas profundas — daquelas que mudam o jeito de olhar a vida quando se retorna para casa.


