Com a previsão de produzir cerca de 2 mil mudas de cacaueiro para inserção dessa cultura no oeste paulista, uma iniciativa com suporte científico através de pesquisas agronômicas recebeu, nesta quarta-feira, frutos de três variedades para a retirada de sementes.
Os frutos são procedentes de propriedade de José Bonifácio (SP), a 50 km de São José do Rio Preto (SP), na região noroeste do Estado de São Paulo, que, junto com a região do Vale do Ribeira, são as maiores produtoras do cacau paulista.
As mudas das variedades CNN 51, BN 34 e OS 1319 serão produzidas no Viveiro de Mudas da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), em área experimental do Campus 2, em Presidente Prudente. Nesta quinta, teve início a retirada de sementes, em atividade de alunos envolvidos em pesquisa.
O diretor da Faculdade de Ciências Agrárias e coordenador do curso de Agronomia, Carlos Sérgio Tiritan, conta que a produção de mudas foi confiada ao professor Marcelo Rodrigues Alves, que já tem pesquisa em andamento.
Marcelo diz que, em teste preliminar, foram produzidas algumas poucas mudas que já estão com seis meses e que agora a produção será em alta escala, com a previsão de plantio esparso no Campus 2 e em propriedades rurais do Pontal do Paranapanema.
A germinação de sementes ocorre de cinco a 10 dias, mas a muda estará formada em cerca de seis meses. Conforme Tiritan, o alcance externo será pelo programa de extensão PPPS (Pequena Propriedade Produtiva e Sustentável).
Para chegar ao produtor da origem dos frutos para retiradas das sementes, Marcelo esteve na Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) de José Bonifácio. Trata-se do órgão da Secretaria de Estado da Agricultura que compõe o projeto Cacau-SP.
Sobre as produções científicas, conta que Juan Victor Oliveira desenvolve dissertação no mestrado do PPGA (Programa de Pós-graduação em Agronomia) da Unoeste sobre o uso de biochar de lodo de esgoto em pó de rocha na produção de mudas de cacaueiro.
Outro estudo é sobre a avaliação de espécies diversas em diferentes tipos de germinação, desenvolvido na produção de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) do estudante Leonardo Henrique Xavier da Silva.

Foto: Homéro Ferreira/Unoeste - Cirilo, Marcelo, Antônio Donizete e Leonardo Henrique
Marcelo comenta que a intenção é difundir o cacau nas regiões oeste e centro-oeste paulista, que incluem as sedes regionais administrativas de Bauru e Araçatuba, as quais têm temperatura favorável (calor) para a produção de cacaueiro. Também têm água.
Os estudos científicos serão para indicar sistema de manejo adequado e outras variantes para inserir o cacaueiro em sistemas agroflorestais e como incremento econômico para pequenos produtores, incluindo os de assentamentos rurais.
O trabalho envolve o responsável pelo Viveiro de Mudas, o engenheiro agrônomo Antônio Donizete Gonçalves, e o produtor de mudas com 32 anos de Unoeste, Cirilo Teixeira de Melo.

Foto: Homéro Ferreira/Unoeste - Muda de cacaueiro produzida em teste preliminar de germinação