​​​​​​​Em um século de história...

Sociedade Rural elege PRIMEIRA presidente

REGIÃO - DA REDAÇÃO

Data 16/02/2020
Horário 08:04
Flávia Tebaldi: “Decisões do agro passarão pelas mãos das mulheres nos próximos anos”, diz Teresa Foto: Flávia Tebaldi: “Decisões do agro passarão pelas mãos das mulheres nos próximos anos”, diz Teresa

Teresa Vendramini, 60 anos, é a nova presidente da SRB (Sociedade Rural Brasileira). Essa é a primeira vez que uma mulher ocupa o cargo na entidade em sua história centenária. Aproximar os produtores rurais dos demais elos da cadeia produtiva e fortalecer a imagem de uma das mais tradicionais e representativas instituições agropecuárias são os principais desafios em seu mandato. 

Graduada em Sociologia e Política pela FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), Teresa Vendramini é produtora rural, com fazendas de gado no interior paulista e sul-mato-grossense. Na gestão de seu antecessor, Marcelo Vieira, ela foi diretora da entidade e responsável pela criação do departamento de pecuária.

Mãe de Fernanda e avó de Joquinha, e Antonio, Teka, como é carinhosamente conhecida no meio, também é aclamada por movimentos femininos do agronegócio, por chamar a atenção da sociedade civil e do governo ao protagonismo da mulher no campo. “As mulheres estão criando correntes sólidas em torno dos sindicatos rurais, cooperativas ou mesmo em grupos independentes. Uma característica reveladora em todas elas, é a busca constante por conhecimento”, comenta Teresa.

“Foi desafiador representar uma legião de mulheres prontas para reivindicar sua liderança no agronegócio, mostrando o que pensam, o que temem e de que maneira trabalham”, diz Teresa, destacando a grande proporção e velocidade com que este movimento está acontecendo.

Administração com pulso firme

Representar uma entidade como a Sociedade Rural Brasileira exigirá pulso firme de Teresa nas tomadas de decisões, principalmente nas articulações junto ao governo e demais esferas, sejam elas de âmbito técnico ou político.  Isso porque a SRB age diretamente no Executivo, Legislativo e Judiciário, questionando decisões arbitrárias e colaborando no aperfeiçoamento de normas e regulamentações impactantes na vida do produtor e na competitividade do agronegócio. 

Todas as estratégias e iniciativas tendem a ser definidas em conjunto com outras entidades. Teresa garante estar preparada para tantas responsabilidades. Nos últimos anos, ela participou ativamente de discussões relacionadas à cadeia produtiva da bovinocultura no Ministério da Agricultura, em assembleias legislativas e até mesmo no exterior. Colaborou na mobilização dos produtores na Assembleia Legislativa de São Paulo contra a aprovação do Projeto de Lei 31/18, que proíbe o embarque fluvial e marítimo de animais para abate dentro do estado.

Presença no campo
Nascida em Adamantina, Teresa é filha e neta de produtores rurais com 80 anos de tradição na criação de gado, mas o desejo em assumir os negócios da família veio somente aos 40 anos, mesmo com pouca experiência e conhecimento na área.

Para otimizar os lucros e reduzir os custos da atividade, procurou ajuda na Embrapa e até foi homenageada durante as comemorações dos 45 anos da entidade. Modernizou a propriedade investindo em tecnologia, infraestrutura, pastos de boa qualidade, manejo nutricional, sanitário, bem-estar animal e uso racional da água. Uma referência feminina muito forte da adolescência da nova presidente da Sociedade Rural Brasileira é a Dona Chiquinha, a avó, que acompanhava o avô nas viagens à fazenda, mesmo com todas as dificuldades da época.

Curiosidade

Nos últimos anos à frente da diretoria da SRB, ministrou palestras incentivando mulheres a assumir o negócio. Este trabalho chamou a atenção da executiva Cristina Xavier, autora do Livro “Mulher Alfa”, em que Teresa é uma das personagens escolhidas para relatar sua trajetória no agronegócio. “Grande parte das decisões do agro passará pelas mãos das mulheres nos próximos anos”, enfatiza Teresa.

 

 

Veja também