Con-viver

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 08/12/2019
Horário 05:01

A alma humana vive habitada por uma presença. Feliz de quem consegue conviver com ela e dela fazer-se boa companhia. Se considerarmos a vida como uma viagem, estaríamos sempre a caminho da estação final. Singramos mares à procura do porto seguro onde desembarcaremos para ser, não para viver, pois viver é a viagem, o deslocamento entre o ponto de partida (nascimento) e o de chegada (morte). Quiçá, aqui, alguns se desencontrem. Vivem a esperar a vida depois do desembarque. Angustiam-se pela chegada e descuidados veem a vida passar. Vivem, mas sem a consciência que tornaria possível a felicidade na existência.

Ao ler biografias de homens e mulheres destacados da sociedade, especialmente, daqueles que se converteram da indiferença à religião, vemos uma abertura para o Outro que preenche de sentido a vida. Ficamos com a sensação de terem saído da secura para uma fonte, do deserto para um pasto verdejante, do inverno para a primavera... da escuridão para a luz. São respeitosos com quem ainda está a caminho, com quem não consegue contemplar da mesma forma, nem se dá o direito de buscar nos mesmos endereços. Agostinho –o conhecido santo, teólogo e filósofo– confessou ter passado tanto tempo procurando fora e nas coisas aquele que sempre esteve dentro (no íntimo de sua alma) e a espera.

Entretanto, na outra ponta, também impressiona o esforço, sobretudo de intelectuais ateus, agnósticos ou apateístas (indiferentes à religião) negar a existência de Deus e demonstrar logicamente o absurdo da fé. “Têm olhos, mas não veem. Têm ouvidos, mas não ouvem”. Aliás, veem e ouvem o que lhes dá crédito narrativo. Trocam uma relação [Eu-Tu] e a doçura de uma presença por uma amarga realidade negacionista. Negam a fé e ao mesmo tempo professam uma fé. Elegem a razão como divindade, criam ritos e imagens devocionais, bem como, seus ‘santos patronos’ e se arvoram iluminados missionários dessa sua nova ordem mundial.

Vivemos num estado laico cuja liberdade religiosa está assegurada constitucionalmente. Então, o caminho do diálogo (dialético) resta como o mais saudável para a convivência entre os diferentes modos de crer e não-crer. Não ter medo de ser quem é nem de acreditar o que acredita. Procurar no respeito encontrar-se com o outro e fomentar os pontos que nos fazem sentir membros da única família humana terrestre. Conviver no amor, na justiça e na busca sincera da verdade.

Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

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