Cedida/Rafa Cacciatore, Bebê tem conforto do balanço da dança, proximidade com a mãe  e relaxamento para mamar

Foto: Cedida/Rafa Cacciatore, Bebê tem conforto do balanço da dança, proximidade com a mãe e relaxamento para mamar

Laço fraternal

Relação entre mamãe e bebê é essencial nos primeiros anos e dança faz esta aproximação

Uma das maneiras de ficar bem próxima ao bebê é tê-lo em seu colo sempre e quando for preciso e necessário; quando nasce, a criança já reconhece a sua genitora pelo cheiro e sua voz é capaz de acalmar qualquer tipo de situação

  • 17/06/2017 11:13
  • Aline Martins Silva Zanfolin

A ligação de mãe e filho é algo divino. Desde que a mulher descobre que há uma vida em seu ventre, os sentimentos mudam e tudo parece ter mais cor, mais brilho. Quando nasce, o bebê já reconhece a mãe pelo cheiro e sua voz acalma qualquer situação. E essa relação só tende a aumentar e isso faz muito bem ao lado materno e, principalmente, para a criança. A psicóloga Ieda Benedetti considera essencial que a relação entre mãe e filho seja valorizada especialmente nos primeiros anos de vida.

Uma das maneiras de ficar bem próxima ao bebê é tê-lo em seu colo sempre e quando for preciso. E existe até dança para isso. Trata-se da Dança Materna. Um projeto de atenção integral à mãe e ao bebê, desde a gestação até os três anos de vida. A aula para mães e bebês de colo e engatinhantes, mais do que propor que se coloque um bebê no sling e saia dançando, traz um olhar para a experiência estética vivenciada pela mãe e pelo bebê, para os cuidados com a mulher no pós-parto e com o bebê, sob os aspectos físicos, emocionais, do vínculo com sua mãe e da interação e das brincadeiras entre ele e os outros bebês. Este é um trabalho conhecido no meio e dominado por Rafa Cacciatore, proprietária do Espaço Mãe Coruja e MamaHelp, onde atua como assessora com cuidados maternos e consultoria no aleitamento materno natural e também Instrutora de Shantala para bebês. “O contexto é considerado em toda sua complexidade e delicadeza e o momento da dança é o auge nesta teia de sentidos e relações”, frisa.

Conforme explica, a Dança Materna para mães e bebês, além de propiciar a vivência especial de dançar em dupla (ou em trio, já que o pai é sempre bem vindo), possibilita à mulher o retorno à vida social depois do parto, a otimização da redução de peso, reeducação corporal (que refletirá positivamente no modo de carregar e amamentar o bebê) e incentiva o mútuo-conhecimento entre mãe e filho. “As aulas são ainda um momento de troca com outras mulheres que estão atravessando a mesma fase da vida”, destaca.

Acrescenta ainda que para o bebê traz o conforto do balanço na dança, proximidade com a mãe e relaxamento num ambiente onde a amamentação é incentivada. “As mães têm relatado redução na incidência de cólicas e melhora no sono dos bebês”, frisa. Destaca que esta dança é indicada para mães com bebês, usando algum tipo de carregador (sling, wrap, canguru, etc).

Psicologia

Conforme Ieda, a mãe não é importante só nos três primeiros meses de vida. “A mãe é importante sempre. Mas, fundamentalmente importante nos três primeiros anos”, frisa. Ela explica que a mãe é o elemento essencial para a constituição do mundo externo. “Ou seja, a construção do real, a partir do holding, que é o acolhimento, os cuidados maternos, capacidade que a mãe tem de dar suporte ao seu bebê. E ao reverie, que é a capacidade que a mãe tem de atribuir sentidos subjetivos aos conteúdos internos da criança. Através do reverie a mãe atribui nomes, sentido àquilo que o bebê traz. Se o bebê sente fome, se tá com frio, se quer comer. A mãe olha isso tudo”, destaca.

Acrescenta que esses cuidados, através do tempo, faz com que a criança deixe de estar numa angústia infinita, por exemplo, quando está com fome, frio. “Ela tem angústias infinitas. Pode perceber isso quando a criança chora. Ela chora com o corpo todo. Porque ela está capturada por uma angústia infinita.

Através dos cuidados, a criança vai tendo a experiência de que a mãe vai e volta. Assim, passa ter a esperança e o sentido, a compreensão de que a mãe virá novamente. A partir da esperança, inauguramos o mundo real da forma que está hoje”, salienta.

Segundo a profissional. Cada um estrutura o mundo real a partir da esperança. “Por exemplo, por que eu acordo cedo e vou trabalhar? Por que vou pra academia se não gosto? Porque tenho a esperança que a partir disso vou conseguir algo melhor. E este sentido é conseguido a partir da relação mamãe e bebê”, destaca a psicóloga.

Ainda salienta que a partir da experiência com o holding e o reverie, na construção de um ser humano que apesenta o sentido máximo da esperança, “nós temos a construção de um indivíduo capaz de se inserir num mundo como ele está posto”.

“Sem esta construção do real, do holding, fica desconstituída do real, com déficit de subjetivação. Não é capaz de atribuir sentidos profundos a sua existência. Isso é feito em sua relação com a mãe”, diz. Destaca que a pessoa fica menos capaz de ser sensível, precisa de mais apoio para sentir. “Portanto, fica mais vulnerável ao álcool, ao uso de drogas, aos abusos, vícios. Tudo isso é para preencher este déficit de subjetivação, pois as coisas não têm sentido. E é a partir da relação mãe e bebê constituída com profundidade, é capaz de construir um ser humano capaz de compreender o sentido da vida”, explica.

Por conta de tudo isso, Ieda acredita que a relação mamãe e bebê seja essencial para a construção de um ser humano capaz de se inserir num mundo repleto de perigos, de compulsões, pessoas dadas a compras, jogos, violência, drogas, neste mundo repleto de perigos. “Precisamos de seres humanos capazes de sentir e compreender o sentido da vida, para que possamos viver melhor. E a semente está na relação mamãe e bebê”, pontua.