Vai um pombo assado aí?

O Espadachim, um cronista a favor do vinho e contra o vinhoto

OPINIÃO - Sandro Villar

Data 03/06/2020
Horário 05:30

Penso cá com meu zíper que pior que os vírus em geral, como o coronavírus, é o vírus da fome. Fiquei assombrado ao saber que mais de 5,2 milhões de brasileiros passam fome, flagelo que se agrava mundo afora com a pandemia de Covid-19. Bom lembrar que esse enorme contingente de patrícios que não têm comida em casa é quase toda a população do Uruguai, muito justamente chamado de Suíça da América do Sul.

De fato, o Uruguai, onde esquerda e direita se alternam democraticamente no poder sem as baixarias vistas por aqui, é um país progressista e liberal. Educação é de qualidade e a população dispõe de boa qualidade de vida. Divórcio vigora desde 1910 e não faz muito tempo o Uruguai liberou a maconha para recreação e fins medicinais. A liberação atrapalhou os negócios dos traficantes, mas esta é outra história e vamos em frente que atrás vêm os cabos eleitorais, se o coronavírus deixar.

Falava da fome, flagelo que se agrava. Se faltar alimentos em larga escala, com gente esfomeada em todo canto, tem muito bicho por aí que vai acabar na panela ou no forno. Pombos abundam (perdão pelo "palavrão") na maioria das cidades, principalmente nas de porte médio e grande.

Que eu saiba, pombo é uma iguaria, sobretudo na França, e a avezinha pode ser degustada (palavra "chique") assada, frita ou cozida e, com a fome grassando sem nenhuma graça, acho que a receita pouca importa. Aliás, vi umas receitas de pombo no Google. Estimulado, decidi escrever estas linhas de "forno e fogão".

Uma das receitas é de pombo assado servido com vinho branco. Viram que chique? Só que tem um detalhe: o pombo deve ser o do tipo bravo, segundo o linguajar do Google, mas vocês podem "traduzir" isso para selvagem. É fato que pombos selvagens são vistos com frequência nas cidades, êxodo que deve ser motivado pela escassez de alimentos na zona rural.

Na falta de pombo selvagem - e, repito, se a fome aumentar -, os pombos domésticos que se cuidem. Quem vai se importar com o fato de que essas avezinhas são ratos de penas, como as classificou o Woody Allen, e transmitem doenças respiratórias?

Assou e fritou o risco de contaminação, creio, inexiste. Mãos à obra, pessoal! Estilingue e espingarda e mirem nos pombos das praças, mas, repito de novo, só em último caso ou - se a fome apertar - em caso de precisão, numa situação inadiável e com a autorização do prefeito (tem prefeito que quer se livrar dos pombos e está aí uma boa oportunidade).

Seja preciso na pontaria e, se não puder comprar vinho branco, saboreie o pombo com vinho Sangue de Boi e valha-te Deus, Nossa Senhora, além de todos os santos. Pombo no prato? Ora, pombas!

DROPS

Filme da semana em Minneapolis: "EUA em Chamas", estrelando um elenco rebelde.

Filme da Semana no Cine Brasil: "Prenda-me se For Capaz, PF", estrelando Sara Winter e outros 299 atores.

Afrouxaram a quarentena. Combinaram isso com o coronavírus?

Estamos todos no mesmo porta-aviões. Será?

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