"Anjo Mau"

DignaIdade

COLUNA - DignaIdade

Data 21/09/2021
Horário 07:00

Um grande sucesso do horário das 19h da Rede Globo nos anos 70, “Anjo Mau” foi a primeira novela escrita por Cassiano Gabus Mendes na emissora em 1976, ainda em preto e branco. Na trama dirigida por Régis Cardoso, Nice (Susana Vieira) é uma moça ambiciosa que vai trabalhar de babá para Stela (Pepita Rodrigues) numa enorme mansão e faz de tudo para se casar com um de seus patrões, o irmão de Stela, Rodrigo (José Wilker). Embora não fosse verdadeiramente má, Nice não media esforços e bolava mil artimanhas para chegar ao seu objetivo, driblando as rivais Paula (Vera Gimenez) e Léia (Renée de Vielmond). O pai de Nice era o motorista da família, Augusto (José Lewgoy) e sua mãe era a costureira Alzira (Vanda Lacerda), a única que sempre desconfiou das verdadeiras intenções da filha. Mesmo carregando uma leve vilania, o público torcia para Nice, mas a censura conservadora da época não permitiu um final feliz para a babá: apesar de casar com Rodrigo, ela morre durante um parto, no último capítulo. A novela contou ainda com Luiz Gustavo (também estreando na Globo), Jayme Barcellos, Sérgio Britto, Osmar Prado e Ilka Soares. Um remake foi produzido em 1997 com Glória Pires e Kadu Moliterno nos papéis principais, com novas tramas inseridas por Maria Adelaide Amaral, com novo sucesso, mas desta vez com direito a final feliz. 
    
“Os bordões que marcaram época”

A telenovela é uma paixão nacional e faz sucesso há 70 anos. A primeira novela exibida no Brasil foi “Sua Vida me Pertence” de 1951 com Vida Alves e Walter Forster pela TV Tupi, e a primeira a ser apresentada diariamente (antes eram duas ou três vezes por semana) foi “2-5499 Ocupado” de 1963 com Tarcísio Meira e Glória Menezes, na TV Excelsior. Além da lembrança de títulos e personagens, também são lembrados muitos bordões (aquelas frases ou expressões repetidas pelos personagens que caem no gosto popular). Em 1973, o prefeito Odorico Paraguassu (Paulo Gracindo) em “O Bem Amado” vivia repetindo: “Vamos sair dos entretantos, e partir pros finalmentes”, ou discursava iniciando “com a alma lavada e enxaguada”. Lima Duarte balançava o punho e as pulseiras ao intimidar dizendo “Tô Certo ou Tô errado?” em Roque Santeiro (85). José Lewgoy interpretava um velhinho esclerosado em “Louco Amor” (83), Edgar Dumont que vivia atrapalhado e esquecendo as coisas, mas não aceitava e dizia: “E eu não sei?”. A autora Glória Perez adora inserir núcleos com bordões famosos em suas novelas como “Não é brinquedo não” (Dona Jura, Solange Couto, em “O Clone”, 2001), “Cada mergulho é um flash” (Odete, Mara Manzan, na mesma novela, sobre o Piscinão de Ramos), “O pau te acha” (Edinalva, Zezé Polessa, em “A Força do Querer”, 2017), “Stop, Salgadinho” (Lucineide, Regina Dourado, em “Explode Coração”, 1995). O autor Aguinaldo Silva não fica atrás e já lançou o “nos trinques” (Timóteo, Paulo Betti, “Tieta”, 1989), e na mesma novela ouvimos o “eta-lelê” da protagonista vivida por Betty Faria e o “Mistéeeerio” de Dona Milu, personagem de Miriam Pires. Do mesmo autor é a Altiva (Eva Wilma) que abusava do “Well. Oxenti, my gódi” em “A Indomada” (97), e na mesma novela Scarlet (Luiza Tomé) queria “nhanhar” e tudo era um “must”. Também memoráveis: “A Rutinha é boa, a Raquel é má” de Tonho da Lua (Marcos Frota, “Mulheres de Areia”, 93), Dona Armênia (Aracy Balabanian, “Rainha da Sucata”, 90) sempre querendo derrubar “a prédio na chon”. Para Kika Jordão (Arlete Salles, “Lua Cheia de Amor”, 90) tudo era “translumbrante”. 

Dica da Semana

DVD – Música 

Paulinho da Viola – “Meu Tempo é Hoje”:
O documentário “Meu Tempo é Hoje” é uma homenagem ao grande músico Paulinho da Viola dirigido por Izabel Jaguaribe e com roteiro do jornalista Zuenir Ventura. Além de revisitar a obra do compositor, o documentário mostra depoimentos de amigos, revelações da vida simples de Paulinho e suas reflexões sobre o tempo. 


 

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