Na década de 1960, um psicólogo canadense chamado Albert Bandura conduziu uma série de experimentos que mudaram a forma como entendemos o comportamento humano. Até então, acreditava-se que as pessoas aprendiam basicamente por recompensa e punição, como se fôssemos máquinas que repetem o que dá prazer e evitam o que dói. Bandura mostrou que havia algo mais sofisticado acontecendo, observando que aprendemos a partir dos outros, imitando, interpretando e, acima de tudo, construindo uma ideia sobre nós mesmos com base nessas experiências.
Bandura se tornou professor em Stanford e passou décadas estudando esse tema, que possui implicações fundamentais para entendermos a ciência por trás da mudança de comportamento. Por que duas pessoas com a mesma informação, o mesmo diagnóstico e o mesmo tratamento tomam atitudes tão diferentes? Uma muda de vida, a outra permanece exatamente onde estava. A resposta que ele encontrou recebeu o nome de autoeficácia, e essa ideia o tornou um dos psicólogos mais citados da história.
Autoeficácia é a confiança que uma pessoa tem na própria capacidade de realizar uma tarefa específica e alcançar um resultado. Repare que não estamos falando de autoestima, que é o quanto a pessoa gosta de si mesma, nem de otimismo genérico sobre a vida, mas de algo concreto e direcionado. É a diferença entre pensar que se é capaz de controlar a própria alimentação e pensar que nunca se vai conseguir emagrecer. Bandura demonstrou que essa crença interna prevê o comportamento com mais precisão do que o conhecimento, do que a vontade declarada e, em muitos casos, do que a própria gravidade da doença.
O ponto que torna a teoria tão importante é que a autoeficácia não é um traço fixo de personalidade com o qual a pessoa nasce, pois ela se constrói, e Bandura descreveu exatamente como. A fonte mais forte é a experiência de domínio, ou seja, a sensação de ter conseguido, porque quando alguém realiza uma pequena meta e percebe que deu conta, a confiança cresce e alimenta a próxima tentativa. A segunda fonte é o exemplo social, ver pessoas parecidas conosco conseguindo aquilo que parecia impossível. A terceira é o incentivo de alguém ao nosso lado nessa jornada, em quem confiamos, porque essa presença próxima pesa muito sobre o que acreditamos ser capazes de fazer. A quarta é o próprio estado emocional e físico, porque ansiedade e cansaço minam a sensação de que somos capazes.
O paciente que falha repetidamente raramente falha por falta de informação. Ele falha porque sua autoeficácia foi destruída por anos de metas inalcançáveis, seguidas de frustração. Meu trabalho deixou de ser apenas prescrever o que fazer e passou a ser reconstruir, tijolo por tijolo, a crença de que aquela pessoa é capaz de cuidar de si mesma.
Cada meta cumprida é uma prova concreta que devolve ao paciente algo que ele havia perdido pelo caminho, a confiança de que a mudança pertence a ele.