“Nossa administração será dos bairros para o centro. É no bairro que as pessoas vivem e têm dificuldades” 

ED THOMAS (PSB) - CANDIDATO A PREFEITO DE PRESIDENTE PRUDENTE

Eleições - GABRIEL BUOSI

Data 22/10/2020
Horário 05:30
Cedida  - Ed Thomas é candidato a prefeito pelo PSB
Cedida - Ed Thomas é candidato a prefeito pelo PSB

O Imparcial dá sequência a uma série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Presidente Prudente. A partir de um sorteio realizado com representantes dos concorrentes, foram decididas as datas das entrevistas, que ocorreram entre os dias 1º e 9 de outubro, e as datas das publicações, sempre às terças e quintas-feiras, entre 13 e 29 de outubro. A entrevista de hoje é com o candidato Ed Thomas, do PSB (Partido Socialista Brasileiro), que aos 57 anos busca a eleição ao lado de Izaque Silva, nome escolhido para ocupar o cargo de vice-prefeito.
Para esta sabatina com os candidatos foram acordadas oito perguntas, sendo seis delas iguais para todos e outras duas que devem levar em consideração as experiências sociais e políticas do candidato. Casado e com ensino fundamental completo como grau de instrução, Ed Thomas segue com a coligação “Força Prudente”, composta pelos partidos PSB, Patriota, PSC e PP. Confira abaixo a entrevista.

Caso receba a confiança do eleitorado prudentino para ocupar a cadeira, qual deverá ser o projeto carro-chefe dentro do seu plano de governo?
A nossa administração será dos bairros para o centro da cidade. O centro é zelar, pois é nos bairros que as pessoas vivem e enfrentam as maiores dificuldades. O investimento dessa administração é cuidar das pessoas onde elas moram, ou seja, em todos os segmentos, desde empreender nos bairros, dar condições para que a gente tenha um ambiente comercial nos bairros da cidade, geração de renda e emprego, mas, mais do que isso, cuidar daquele posto de saúde, daquela praça, colocar a cultura perto das pessoas, o lazer perto das pessoas e que elas possam, acima de tudo, prosperar dentro dos bairros. O centro é zelar, é um centro bonito, é cuidar, as pessoas vêm para trabalhar e voltam para suas casas, então, o norte da nossa campanha é do bairro para o centro, e não o oposto, como vem sendo feito há muito tempo. Preciso cuidar da comunidade, das pessoas e levar um ambiente de alegria dentro desse bairro, diminuir as filas nos postos, ter médicos lá dentro, e respeitar o entorno de toda a cidade. 

Os alagamentos no Parque do Povo são um problema frequente no município. Em julho deste ano, um empréstimo no valor de US$ 46,8 milhões foi aprovado junto ao Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata) e o processo, entre outros fatores, depende agora da contrapartida de 20% acordada em contrato. Se eleito, pretende dar andamento às negociações com o Fonplata? Como pretende viabilizar as obras para sanar esse problema tão antigo na cidade? 
Já está detectado o problema, seja quem for o prefeito, é uma das maiores obras de Prudente, se não for a maior. A situação provoca desconforto em todos, e ali é a “praia” dos prudentinos. Mas, na nossa administração, não é apenas focar no Parque do Povo, mas em todos os parques, em todas as regiões, já fizemos um diagnóstico dessa situação, que começa na rotatória da Avenida Coronel José Soares Marcondes, onde recebe o maior volume de água, e o parque vai afunilando, chegando até o shopping, onde já estrangula, e, mais à frente, na ponte de passagem indo par aos bairros, onde afunila de vez. Problema detectado, recurso provido pela administração, e a situação está judicializada, a cidade já recebe multas por não fazer e realizar essa obra. Sabemos que a contrapartida da Prefeitura de quase R$ 800 milhões já está comprometida praticamente, aí entra o trabalho de deputado de quatro mandatos e do Izaque Silva, vice, que foi deputado federal, a buscar recursos do Estado ou do governo federal. Fiz um primeiro contato com o presidente, há mais ou menos 20 dias, falando dessa dificuldade, mas também da linha férrea e obras de infraestrutura para ligar os bairros do centro. 

Há relatos de empresas que desistem de se instalar em Presidente Prudente ou até mesmo migram para municípios ou Estados vizinhos por alegarem falta de incentivo fiscal. Isso, além de prejudicar a arrecadação do município, consequentemente tem impactos na geração de empregos e em toda a cadeia produtiva. Quais serão as propostas para que empresas se sintam atraídas a virem ou permanecerem em Prudente? 
Essa é a primeira ação já a partir de janeiro. A pandemia provocou o fechamento de muitos sonhos e empresas, e precisamos ajudar essas pessoas a levantar suas portas, pois de cada 10 comércios, três ou quatro não têm condições de recomeçar, não apenas no centro de Prudente, mas nos bairros também. É bater numa tecla que todo mundo sabe, que quem emprega é chamado de pequena empresa, não gosto dessa palavra, pois quem dá emprego é muito grande, mas é preciso montar uma comissão para ajudar essas pessoas. A Prefeitura tem atrapalhado no empreendedorismo, é uma burocracia que atrapalha isso, ou seja, se ela não atrapalhar, já estará ajudando. Precisamos soltar um alvará para que as pessoas possam trabalhar. Votamos na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo o código do empreendedor, eu vou usá-lo em Pudente para empreender e buscar crédito. Será uma Prefeitura à disposição e não para atrapalhar, terá uma secretaria especial e um contato direto comigo, o que não ocorre. Quem dá emprego precisa ser recebido pelo prefeito e precisamos buscar a solução. 

Prudente, ao longo dos anos, ainda não conseguiu encerrar as atividades do aterro sanitário. Enquanto isso, a atual gestão aposta no Cirsop (Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos do Oeste Paulista) para reverter a problemática dos resíduos urbanos. Como pretende resolver a primeira questão e levar adiante a segunda? 
É algo que já vem sendo empurrado, eu ainda era vereador quando já se falava nisso e se passaram 20 anos. Há quem diga que se passará mais 20 anos. É o fortalecimento da coleta seletiva, ou seja, diminuir o volume sólido, são toneladas produzidas com um gasto de R$ 10 milhões por ano, para isso, precisamos começar com a educação ambiental, começando pelas crianças, para que o adulto recue vendo que são crianças educando. Recentemente coloquei que cada voto será uma árvore plantada e é dessa forma que se faz. A Coorperlix (Cooperativa dos Trabalhadores de Produtos Recicláveis de Presidente Prudente) precisa ser fortalecida, o lixo pode se transformar em luxo. É uma missão que vamos resolver, já tivemos polêmicas do Timburi, de nascentes, conseguimos que não seja ali, o lixo está sendo transportado e precisamos diminuir o volume de lixo. Primeiro, uma educação ambiental, pois o problema não termina quando eu coloco uma sacola de lixo na rua, ele começa. Precisamos de tecnologia avançada e de investimentos, mas temos que trabalhar neste momento com as ferramentas aqui de dentro. Vou buscar recursos para que tenhamos um lixo tratado, cuidado e transportado e melhorado. 

O que o senhor promoverá, no âmbito financeiro, para equilibrar os cofres públicos? 
Impossível não falar em cortes e que são muitos, não apenas em cargos de confiança ou aglutinação de secretarias, mas colocar elas em simetria. Não precisa tanto. A verdade é que há um desperdício de dinheiro público. Cortes, aquele prefeito que chegar terá que fazer para ter caixa e isso vai acontecer em todos os segmentos, menos na educação, saúde, no empreendedorismo, ou seja, aquilo que é supérfluo e não é usado, com certeza será cortado, e tem muita coisa para se cortar. Não há uma fórmula mágica. São coisas simples, mas que no final fazem a diferença muito grande. 

O senhor e o seu vice vêm de cargos no Legislativo. Como o senhor acredita que a experiência de ambos neste Poder pode contribuir com o trabalho no Executivo? 
No Legislativo estão aqueles que têm mais contato com o povo, tenho quatro mandatos de deputado, o Izaque tem sete de vereador, ninguém tem isso sem trabalho e proximidade com as pessoas. Legislativo é proximidade, o prefeito precisa estar próximo e não na cadeira vivendo como se fosse um trono. É nas ruas que ele encontra os problemas e as críticas. Com humildade, ele pega a melhor ideia e junta com seu plano de governo para buscar qualidade de vida. Legislativo é fazedor de leis, fiscalizador de leis e temos um olho de fiscalização e a experiência de estarmos em todos os lugares e discutirmos todos os assuntos. É um privilégio de estar no Legislativo e essa proximidade que é grandiosa para saber que a grande ideia, muitas vezes, está nos segmentos que trabalham na Prefeitura, e não apenas na cabeça do prefeito, vereador ou dos deputados, e eu coloco nessa situação os servidores públicos, essa ferramenta grandiosa de gente técnica que fará a diferença na vida das pessoas. No Legislativo minha experiência é com 70 prefeitos, ouvindo as dificuldades deles e buscando a solução no Estado, vou usar isso agora no Executivo sendo prefeito de Presidente Prudente.

A economia de Presidente Prudente é muito forte no setor terciário. Num cenário em que o empreendedorismo por necessidade cresce cada vez mais, quais os seus planos para garantir que as pessoas consigam abrir seus próprios negócios e tenham condições de mantê-los?
Se a Prefeitura não ajuda, ela não pode atrapalhar. Empreendedorismo é parceria com a iniciativa privada, é estar em contato com a Acipp (Associação Comercial e Empresarial de Presidente Prudente), com os nossos empresários, com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), é buscar caminhos para que eles possam empreender, pois muitas vezes a pessoa tem a ideia, mas não tem os caminhos. É obrigação da Prefeitura dar esse caminho, dizer os riscos que ele tem e do mercado que ele vai prosperar, está tudo muito solto, não há apoio, a pessoa abre com uma ideia e as empresas fecham com dois anos ou menos que isso, não podemos deixar que isso aconteça. O Executivo pode buscar crédito além do Banco do Povo, teremos um lugar especial para as pessoas empreenderem nos centros e nos bairros, aqueles que têm a ideia vão trazer para o prefeito e terão ajuda para prosperar. 

Por qual razão o eleitor deve colocar a máquina pública em suas mãos? 
Eu gosto da minha cidade, sou apaixonado pela minha cidade. O respeito por Prudente é grande, e eu não vou deixar fazer comparativos com Presidente Prudente. É uma cidade única e você vai ter um prefeito que vai bater na porta de um empresário e perguntar se ele quer abrir uma filial no município, eu vou atender pessoas não no terceiro andar, mas no primeiro andar, essa é minha proximidade, foi o que a política me ensinou e o que me credenciou a estar prefeito se o povo e Deus permitirem. Prefeito não é patrão, mas empregado da população, posso não ser o melhor dos 12 candidatos, mas ninguém fará melhor que eu e meu vice. O investimento maior é o zero ano, educação e cuidar dos nossos professores e empresários, estar nas ruas e ouvir os problemas, me sinto forte e experiência, vou buscar com humildade para buscar em Prudente, a melhor ideia, se não for a minha, poderei fazer a sua, que está lendo essa matéria. Faremos tratar Prudente como capital do interior. 

Calendário de divulgação das 
entrevistas feito por meio de sorteio

13 de outubro
- Nelson Roberto Bugalho (PSDB) 
- Glauco José Bazzo (PTC) 

15 de outubro
- Juliano Borges (Podemos)
- João Felício Figueira (PRTB) 

20 de outubro
- José Lemes Soares (PDT)
- Luís Valente (PT)

Hoje
- Marcos Lucas (Avante)
- Ed Thomas (PSB)

27 de outubro 
- Fábio Sato (MDB)
- Guilherme Piai (PSL) 

29 de outubro
- Laércio Alcântara (DEM)
- Paulo Lima (PSD)

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