Quando o lar deixa de ser abrigo

EDITORIAL -

Data 27/01/2026
Horário 04:15

A violência doméstica segue sendo uma das faces mais cruéis da desigualdade e do descaso social. Dentro de quatro paredes, longe dos olhares públicos, muitas mulheres convivem diariamente com o medo, a humilhação e a ameaça constante à própria vida. O lar, que deveria ser espaço de afeto e proteção, torna-se palco de agressões físicas, verbais e psicológicas.
O recente caso registrado em Mirante do Paranapanema é mais um retrato dessa triste realidade. Procurado pela Justiça por furto, um homem foi preso pela Polícia Militar após tentar agredir a esposa com uma faca. Sob efeito de álcool, ele ainda a ofendeu e ameaçou, segundo relato da vítima. A intervenção rápida da equipe do 42º BPM/I evitou que o episódio tivesse um desfecho ainda mais trágico. O agressor foi localizado dentro da residência, a arma apreendida e a ocorrência apresentada no Plantão da Polícia Civil.
Casos como este não podem ser tratados como fatos isolados. Eles revelam um problema estrutural, que aprisiona mulheres em ciclos de violência marcados pelo silêncio, pela dependência e pelo medo de denunciar. O consumo de álcool, frequentemente presente nessas ocorrências, não justifica a agressão, apenas escancara a urgência de políticas públicas mais eficazes de prevenção e enfrentamento.
É preciso reforçar que a violência contra a mulher é crime e deve ser combatida com firmeza, acolhimento às vítimas e responsabilização dos agressores. Dar visibilidade a essas histórias é um dever do jornalismo e da sociedade. Romper o silêncio é o primeiro passo para transformar o lar novamente em abrigo e não em ameaça.
 

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