8 empresas apontam interesse em escoar produção através da malha ferroviária

Em encontro promovido ontem, em Prudente, Rumo ALL informou que demandas serão detalhadas até primeira quinzena de 2017

PRUDENTE - ANDRÉ ESTEVES

Data 01/12/2016
Horário 07:06
 

Pelo menos oito empresas de carga requerem a recuperação dos trilhos e a reativação da malha ferroviária na região entre Presidente Prudente e Presidente Epitácio, de acordo com a UEPP (União das Entidades de Presidente Prudente e Região). Por pedido de sigilo, a união não pode revelar os nomes das interessadas, mas informa que são de conhecimento da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e da Rumo ALL (América Latina Logística), concessionária responsável pelo trecho. Ainda conforme a UEPP, o volume anual levantado e comprovado é de 927.786 toneladas e os principais produtos são açúcar, etanol, calcário, fertilizante, milho, soja, farelo, combustível e couro (veja tabela). Os dados não englobam as cargas das regiões Centro-Oeste e Norte, que seriam alocadas em interligação com a Ferrovia Norte-Sul, que vem até Panorama (SP).

Jornal O Imparcial Demanda para a ferrovia regional foi debatida entre interessados

Com o objetivo de solicitar que a companhia faça um levantamento das empresas que necessitam do transporte ferroviário para o escoamento de produção, membros da UEPP e OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Prudente reuniram-se com o representante comercial da Rumo ALL, Gabriel Maranhão, na manhã de ontem, no Aruá Hotel. Apesar do conflito de opiniões, o encontro terminou com uma promessa que pode trazer esperança aos interessados: a concessionária deve apresentar, até 15 de janeiro, um relatório com o detalhamento das demandas e, com base nisso, expor uma proposta comercial.

A reunião precendente ocorreu em dezembro de 2015, quando a UEPP protocolou um relatório onde as empresas discorriam sobre suas produções mensais e anuais, bem como as intenções para o uso do transporte. Conforme noticiado por O Imparcial em agosto, o último despacho sobre o caso foi publicado em julho deste ano, quando a Justiça Federal não concedeu suspensão do processo para a executada e esta continuou obrigada a revitalizar e a reativar a ferrovia, cujo prazo já havia encerrado em setembro do ano anterior. Desde então, vigora uma multa de R$ 30 mil por dia pelo descumprimento da companhia.

 

Opiniões

Para o diretor de comunicação da UEPP, Marco Goulart, entende-se que, na prática, o retorno da malha ferroviária está estagnado. "Infelizmente, estamos no campo das promessas, porque, na prática, o que temos hoje é uma linha férrea que não tem a mínima condição de tráfego. Sendo assim, a companhia não pode fazer a promessa da venda de um produto, que é o transporte ferroviário, se o tráfego for inviável. Então, a situação não é condizente com o que estão oferecendo, beirando até mesmo à má-fé", expõe. Segundo Marco, existe uma esperança, mas é preciso que as entidades continuem cobrando a reativação. "É importante salientar que trata-se de uma concessão pública e que a companhia possui um contrato com o governo federal a fim de manter o trajeto em pleno funcionamento", complementa.

O prefeito de Presidente Epitácio, Sidnei Caio da Silva Junqueira, Picucha (PMDB), esteve no local para acompanhar a reunião, que, como aponta, faz parte de um conjunto de encontros realizados pela concessionária. "Entendemos que, em função de uma ação do MPF contra a ALL, há a obrigação de promover essas reuniões. No entanto, desta vez, o representante comercial deu um prazo para visitar as empresas, o que representa um diferencial", denota. Para ele, a situação acende uma luz no fim do túnel para as empresas que estão dispostas a utilizar a malha ferroviária, posto que a demanda comprovadamente existe. "A reativação da ferrovia é completamente viável, falta apenas o aval da ANTT e Rumo ALL, que precisam colocar o sistema para operar. Nós entendemos que há outros trechos mais rentáveis, contudo, a desativação da malha na nossa região nos prejudica demais", avalia.

O vice-diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Itamar Alves de Oliveira Júnior, é mais relutante em relação ao caso. "A concessionária quer prorrogar a demanda porque não tem intenção de resolver o problema. Eles irão agora fazer o levantamento existente na nossa região, entretanto, o número de empresas que utilizariam a malha ferroviária vai além: existe demanda em todo o centro-oeste. Eles sabem disso, porque a maioria dessas empresas é cliente deles", explana. Itamar afirma que suas expectativas para a resolução do problema são baixas, dado que "o que a empresa quer é prorrogar os fatos para que possa se defender do processo que existe no MPF contra ela", pontua.

 

Outro lado

A reportagem tentou ouvir o representante comercial da Rumo ALL, Gabriel Maranhão, que pediu que a solicitação fosse feita à Assessoria de Imprensa da companhia. Em nota, a empresa informou que a Rumo ALL "vem cumprindo o seu papel de concessionária ferroviária de cargas e se mantém à disposição dos interessados em firmar contratos de transporte de longo prazo". "A empresa já participou diversas vezes de seminários em Presidente Prudente, nos quais é explicado o funcionamento da ferrovia e onde é oferecido o transporte buscando a captação de cargas, firmando contratos de longo prazo e analisando possíveis origens, destinos, fluxos e volumes de transporte voltados à contratação", comunica. Em relação ao encontro realizado ontem, diz que, demonstrando sua boa-fé, se disponibilizou a realizar reuniões específicas com a comunidade local com vistas a analisar propostas de contratos de transporte de longo prazo que possam viabilizar o transporte ferroviário.

 

 

 

Escoamento pelos trilhos

 












































































EMPRESA*



MERCADORIA



TRANSAÇÃO



VOLUME ANUAL



UNIDADE DE MEDIDA



VOLUME ANUAL (TU)



A



açúcar


etanol


calcário


fertilizante



venda


venda


compra


compra



100 mil


100 mil


3 mil


4 mil



ton/ano


m³/ano


ton/ano


ton/ano



100.000


80.000


3.000


4.000



B



sem indicação



venda



360 mil



ton/ano



360.000



C



milho, soja e farelo



venda



120 mil



ton/ano



120.000



D



combustível



venda



120 mil



m³/ano



96.000



E



material elétrico e eletrônico



venda



1,2 mil



ton/ano




1.200



F



artefatos de couro



venda



360



contêineres/ano




8.586



G



couro curtido



venda



15 mil



ton/ano



15.000



H



farelos de soja



venda



140 mil



ton/ano



140.000



*Nomes das empresas não foram divulgados.

Fonte: UEPP

 

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