A Gordinha

DignaIdade

COLUNA - DignaIdade

Data 09/02/2021
Horário 06:44

A atriz Nicette Bruno, recentemente falecida aos 87 anos, foi estrela da TV Tupi durante dez anos. Após o sucesso na TV Excelsior (em “A Muralha”, 1968, e “Sangue do Meu Sangue”, 69), ela estreou na TV Tupi em 1970 com a novela “A Gordinha”, de autoria de Sérgio Jockyman. Na época, a Tupi queria renovar as telenovelas com temas mais populares e cotidianos, e depois do sucesso de “Beto Rockfeller”, trouxe esta trama sobre uma mocinha fora dos padrões de estética. Mônica (Nicette) vinha do interior para trabalhar na cidade grande e arrumava emprego de balconista numa loja de departamentos. Fora dos padrões, era menosprezada pelos colegas, e se empanturrava de guloseimas para se esquecer dos problemas. Contudo, com sua boa fé e simpatia, foi galgando posições no emprego, sempre enfrentando a tirania do patrão PT (Fernando Torres) e do chefe de vendas Balbino (Jayme Barcellos). O seu jeito especial e charme conquistavam a atenção de dois homens (Fausto Rocha e Henrique Martins). A novela não passou despercebida na época e teve sucesso de público em São Paulo e foi transferida das 18h para as 20h (para substituir o insucesso de “As Bruxas”). Nicette começava a carreira na Tupi com êxito.    
 

“Reverência e respeito”

Já ouvimos muitas vezes alguém falar: O Brasil é um país sem memória. Fato verídico. O ritmo acelerado de vida nos faz valorizar o hoje e o agora, e o que ficou para trás é esquecido rapidamente. Os canais de informação, as notícias, as mídias sociais incrementam a fogueira das vaidades momentâneas e celebriza personalidades efêmeras. A roda que tritura fenômenos, chamada tempo, leva ao esquecimento de forma acelerada, e derruba do pedestal tão rapidamente quanto deixa nos porões subterrâneos do ostracismo e do passado. Reverenciar o passado não é cultuá-lo ou confrontá-lo com o presente, é apenas dar valor e respeito por quem veio na frente, ou antes. As botas poderosas e esmagadoras do hoje soterram o ontem desvalido e destituído de poder, sem saber que estes maiúsculos nomes são transitórios. O hoje soterrador rapidamente se transforma no ontem esmagado e vivemos uma realidade em que os jovens parecem ter a impressão que o mundo começou agora. A pré-História do mundo é qualquer coisa que aconteceu antes de seu nascimento, portanto, tudo era primitivo e inferior. Precisamos reaprender a reverenciar: baixar o tronco e se inclinar diante de alguém de respeito. Contudo, a luta pelas conquistas democráticas não universalizou o respeito e a consideração, e sim a crista alta ou topete: onde tudo se pode e tudo se destrói. Vilipendiamos o passado com o dedo em riste de acordo com os valores morais do agora. O mundo ultrapassado de ontem tem que ser passado a limpo pelas sábias impressões do hoje. Consomem-se as trivialidades culturais atuais com voracidade de nuvem de gafanhotos, e desconhecem por completo movimentos culturais e musicais como a Bossa Nova, o Tropicalismo, os festivais de MPB, o Rock Nacional contestador. Afinal não há um porquê de reverenciar quem não lacra mais. O importante é prestar culto a quem tem milhões de seguidores e não perder tempo em ter consideração com quem foi cancelado pelo vilão tempo. 

Dica da Semana

Filmes 

“O Amor é Estranho”:
(“Love is Strange”). 2014. Direção: Ira Sachs. Com Alfred Molina e John Lithgow. Dois homens idosos (Molina e Lithgow) formam um casal há mais de 40 anos, quando resolvem finalmente se casar. A notícia é comemorada por amigos e familiares, mas leva um deles a perder o emprego. Obrigados a vender a casa para comprar outra mais barata, eles decidem se separar provisoriamente e têm momentos desgastantes com os novos lares.  

 

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