A importância de re-visitar sentimentos dolorosos

Impulsos pipocam internamente a todo o momento. O aparelho mental é submetido a excitações de procedência tanto externa como interna. O representante psíquico das excitações internas dá-se o nome de impulso. Assim, na definição Freudiana, impulso é um conceito energético, situado entre o somático e o psíquico, que se define por quatro características básicas: origem, especificidade, objetivo e objeto. Todo impulso ou toda energia possui uma origem. A origem desta energia é somática, localizada na região do corpo onde nasce a excitação. Além disto, a energia possui uma especificidade, ou seja, ela exerce uma força contínua no sentido de sua satisfação. O objetivo do impulso é, assim, alcançar sua satisfação através de um modo ou maneira especifica e, para tanto, ele irá necessitar de um objeto. Existe uma infinidade de impulsos.
Enquanto bebês tudo podemos e seus desejos todos realizados.  O bebê não quer saber se a mãe pode ou não pode vir naquele momento, quer satisfação de seus desejos e pronto. E a mãe, suficientemente boa, permite que essa relação tenha a “ilusão” de ser perfeita. Só que não permanecemos bebê durante toda uma vida. Entramos naturalmente em um processo de reconhecimento do “eu” e do “não eu” gradativamente. Vamos passando por muitos processos evolutivos, envolvendo separações, perdas e ganhos.
Alguns adolescentes ou até mesmo adultos, nunca deixam de ser considerados bebês. Querem a todo o momento satisfação plena de seus desejos (impulsos). Há indivíduos que não suportam ausências, perdas, separações, ou seja, as faltas. Enquanto bebês, vivemos em um princípio de prazer. Aos 3 para 4 anos, vamos tendo mais ou menos noções básicas do que podemos ou não fazer. Já não podemos comer tudo que queremos. Não podemos querer a mãe o tempo todo. Vem a escola que nos separa da mãe. Não podemos brincar o tempo todo. Herdeiro do complexo de Édipo, o superego vem para disciplinar, instituindo ou tentando instituir gradativamente a moralidade, censura e limite.
Um bem necessário. “Alguém” tem de ficar no controle. Esse alguém somos nós mesmos. Passamos então, da onipotência à impotência. Atualmente não sabemos bem o limite para parar de comer, comprar, beber, jogar, limpar, lavar, etc. Na realidade, não sabemos como lidar com a frustração.
Frustração é a primordial alavanca desencadeadora para o nosso crescimento emocional. É quase um paradoxo, mas é real. Não queremos, muitas vezes, experimentar a realidade. Vivemos nos enganando com excessos para não defrontarmos com a nossa realidade. Na compulsão pela compra, tentamos compensar angústias que brotam ininterruptamente de um lugar chamado vazio emocional, nada mais que carência afetiva. Como parar de comprar se esse vazio ou carência afetiva é comparado a uma fonte inesgotável? É necessário ter contato consigo próprio visitando e re-visitando essa dor. 
Não há como fugir do mal estar da civilização. A compulsão pela droga também é uma forma de fugir da realidade. Muitas vezes não aguentamos os limites impostos pela sociedade. Vivemos de aparência, mentimos para nós mesmos, vivendo na ilusão. Definitivamente resistimos muito em mergulhar na vida adulta e sua consequente maturidade, responsabilidade e consciência. E por que não salientar a incapacidade que temos em driblar os limites internos que cada ser humano possui até para poder sobreviver? Ser responsável por si próprio chega a ser dolorido e queremos eleger alguém para cumprir esses papéis que compete a cada um de nós. Não podemos transferir e sim, assumir.
 

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