A oração com as Sagradas Escrituras

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COLUNA - Diocese Informa

Data 31/01/2021
Horário 05:55

O papa Francisco continua com a série de catequeses, às quartas-feiras, sobre a oração. Na chamada Audiência Geraldo dia 27, o sumo pontífice abordou o tema “a oração com as Sagradas Escrituras”. A seguir, o resumo divulgado pelo site do Vaticano:
Debruçamo-nos hoje sobre a oração feita a partir da Sagrada Escritura. Na verdade, as palavras da Bíblia não foram escritas para ficar presas ao papel, mas para serem acolhidas por uma pessoa que reza, fazendo-as geminar no próprio coração. Do coração aberto a Deus, da nossa oração, depende a possibilidade de um texto bíblico se tornar para nós Palavra viva de Deus. E a Palavra de Deus, impregnada de Espírito Santo, quando acolhida com um coração aberto, não deixa as coisas como estavam antes. Inspira bons propósitos e apoia a ação, dando-nos força e serenidade; e, mesmo quando nos põe em crise, dá-nos paz.
Mas como fazer? É conhecido o método da lectio divina. Primeiro, lê-se o texto bíblico com atenção – diria, com «obediência ao texto» – para entender o que significa em si mesmo. Depois meditamo-lo entrando em diálogo com ele: permanecendo aderente ao texto, começo a interrogar-me sobre o que me diz a mim. Trata-se duma passagem delicada: é preciso não se deixar levar para interpretações subjetivas, mas inserir-se no sulco vivo da Tradição que une cada um de nós à Sagrada Escritura. E o último passo é a contemplação: aqui as palavras e os pensamentos cedem lugar ao amor, como entre namorados a quem por vezes basta olharem-se em silêncio. Naturalmente o texto bíblico continua ali, mas como um espelho, um ícone a contemplar. Deste modo a Palavra de Deus faz-se carne nas pessoas que a acolhem na oração. Acontece uma nova encarnação. E nós somos os «sacrários» com pernas, onde as palavras de Deus querem ser guardadas para poderem visitar o mundo.
Ao final da audiência geral realizada na Biblioteca do Palácio Apostólico, o papa – como de praxe – saudou a audiência em diversas línguas. Aos ouvintes de língua portuguesa, disse: “Que nada vos impeça de viver e crescer na amizade do Senhor Jesus, e testemunhar a todos a sua grande bondade e misericórdia! Desça generosamente a sua Bênção sobre vós e vossas famílias”. Francisco também fez um apelo. “Hoje, aniversário da libertação do campo de extermínio de Auschwitz, celebramos o Dia da Memória. Comemoramos as vítimas do Holocausto e todas as pessoas perseguidas e deportadas pelo regime nazista. Recordar é expressão de humanidade. Recordar é sinal de civilização. Recordar é condição para um futuro melhor de paz e fraternidade. Recordar também significa estarmos atentos, pois estas coisas podem voltar a acontecer, começando por propostas ideológicas que pretendem salvar um povo e acabam por destruir um povo e a humanidade. Estai atentos a como começou este caminho de morte, de extermínio, de brutalidade”.
Por fim–finalizou o Papa– o meu pensamento dirige-se aos idosos, aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Espero que cada um, na própria condição, contribua generosamente para difundir a alegria de amar e servir Jesus.

Liturgia
4º Domingo Comum

Leituras: Deuteronômio 18,15-20; Salmo 94; 1ª Coríntios 7,32-35; Marcos 1,21-28: O profeta do Reino de Deus
I.- Antífona de entrada: Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que celebremos o vosso santo nome nos gloriemos em vosso louvor. (Sl 105,47)
II.- O poder curador de Jesus. Os doentes sentem o quão profundamente a enfermidade os incapacita. Há coisas que gostariam de fazer, mas não podem. A depender do grau da enfermidade, sentem-se como se humanos não fossem. Um exemplo está nas pessoas deficientes mentais. No evangelho deste domingo vemos Jesus atuando com o seu poder de cura. Não cura todos os enfermos, mas quer que as pessoas sejam íntegras e sadias (= curadas). Deseja que sejamos como Ele, pessoas plenamente humanas, boas e íntegras, não apenas fisicamente, senão em todos os sentidos, pois é assim que honramos plenamente a Deus, feitos à sua imagem e semelhança. Peçamos na eucaristia dominical que nos faça íntegros e sarados.
III.- Leituras: 1) “Farei surgir um profeta e porei em sua boca as minhas palavras”. O verdadeiro profeta é voz de Deus. Os profetas do povo de Deus eram (e ainda são hoje em dia) a voz de Deus. Interpretam sua vontade com autoridade e dirigem o povo ao futuro de Deus. 2) “A jovem solteira se ocupa com as coisas do Senhor, para ser santa”. Livres para o Senhor. Todos somos chamados à santidade. Paulo sublinha as janelas do carisma do celibato: os que não se casam estão livres para se dedicarem ao Senhor em seus assuntos. 3) “Ensinava como quem tem autoridade”. Jesus ensinava com autoridade. Jesus podia ensinar com autoridade como ninguém mais, pois era a Palavra viva de Deus, filho mesmo de Deus. Apenas pelo poder de sua palavra venceu o poder do mal.
IV.- Citação: «Um só é o vosso Doutor: Cristo» (Mt 23,10). […] Cristo é, com efeito, «este Filho, que é resplendor da sua glória e imagem fiel da sua substância e que tudo sustenta com a sua palavra poderosa» (Hb 1,3). Ele é a origem de toda a sabedoria: o Verbo de Deus nas alturas é a fonte da sabedoria. Cristo é a fonte de todo o verdadeiro conhecimento, pois Ele é «o caminho a verdade e a vida» (Jo 14,6)... Pois que homem poderia conhecer a vontade de Deus?» (9,10-13). Ninguém pode chegar à certeza da fé revelada, senão pela vinda de Cristo em espírito e na carne.» (São Boaventura)
V.- Oração: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade.
 

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