A timesharing como modelo de investimento no mercado imobiliário

Bruna Melo

COLUNA - Bruna Melo

Data 21/11/2021
Horário 08:00

A sociedade digital vive uma remodelagem no modo de consumir, de interagir, de contratar e até mesmo de investir em imóveis. Quem nunca ouviu dizer que existem duas felicidades em adquirir uma casa na praia ou sítio de lazer, uma quando se compra e outra quando se vende?
As pessoas perceberam que podem ter acesso aos bens que lhe proporcionem uma melhor qualidade de vida e rentabilidade, bastando somente se desapegar do “status” de uma titularidade exclusiva, compartilhando-o com outras pessoas.
Vamos ao seguinte raciocínio: muitos pensam que comprar um imóvel em determinada praia os privarão de conhecer novos lugares. Mas e se, ao invés de comprar um imóvel, por exemplo, no Guarujá, comprar a fração no tempo de imóveis no Rio de Janeiro, Gramado, Porto Seguro, Olímpia e outras cidades pelo mesmo valor? É justamente esta que é a proposta da propriedade compartilhada.
E ainda tem a questão, e se eu não quiser pessoalmente usufruir da minha fração no tempo? Aí que está o melhor, você poderá deixar alugado e receber o valor. Existem pessoas jurídicas especializadas no mercado que se incumbem desse propósito e repassam os rendimentos ao proprietário. Como foi dito, a escolha por referidos investimentos deve ser respaldada pela assessoria de bons profissionais, pois uma má gestão poderá diminuir o retorno esperado e gerar outros transtornos. 
Algo que se aproxima do time sharing e com ele não se confunde é a possibilidade de se constituir uma pessoa jurídica e os sócios integralizarem o capital com imóveis do mesmo gênero (exemplo, imóveis de veraneio). É diferente da multipropriedade, pois neste último caso, o sócio é titular de uma cota, ao passo que na propriedade compartilhada é titular de um direito real. Em relação ao retorno financeiro, há algumas questões interessantes, como a redução de tributos de pessoa física de 27,5% para, a depender do caso para menos da metade para pessoa jurídica.
Para melhor dimensionar essa era do compartilhamento, pode-se mencionar a capital sul-coreana, Seul, que possui políticas governamentais que incentivam a economia colaborativa. No mesmo sentido, uma releitura do modelo do compartilhamento e movimento do mercado é a hospedagem e locação por aplicativos, como Air Bnb, que é bom para o hóspede (concorrência com hotéis e diminuição do preço) e bom para quem aluga (fonte de renda alternativa).
O compartilhamento é uma marca da sociedade digital, isso pelo fato de que as pessoas não têm mais tempo nem dinheiro para perder, nestes contornos a propriedade compartilhada surge como mecanismo de combate ao subaproveitamento e consequente prejuízo, dando maior função social à propriedade, impulsionando a circulação de riquezas e melhorando o retorno financeiro. Já pensou em consumir sem possuir? Se a resposta for sim, você entendeu o compartilhamento imobiliário.
 

Veja também