Alto ajuda

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista a favor da livre iniciativa e dos iniciantes

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 05/05/2022
Horário 05:30

Nem sempre a autoajuda é suficiente para resolver dramas e conflitos e, por isso, um alto pode ser a solução, principalmente numa emergência. E isso não é comédia, e está aí São Cristóvão para provar que o alto ajuda. Gigante, Cristóvão ajudou ninguém menos que o Menino Jesus (diz a lenda) a atravessar um rio caudaloso e profundo.
Ele carregou o garoto no colo, que não conseguiria atravessar o rio se tivesse encontrado na margem um anão. O alto Cristóvão fez a travessia numa boa, sem risco para o Menino Jesus. Isso prova que o alto, às vezes, faz a diferença. Em suma: alto ajuda. Já imaginaram um anão levando o garoto nos braços? Os dois poderiam morrer afogados. 
O alto ajuda ginastas baixinhas a dar saltos altos. Se elas dessem saltos baixos estariam em baixa.
Também o basquete estaria em baixa se dependesse dos baixos. Aliás, o alto é a salvação do basquete, esporte que depende dos altos e do Altíssimo, pois os jogadores sempre pedem a ajuda do alto.
E o doente hospitalizado que está doido para voltar para casa? No caso, quem o beneficia é uma alta, enfim, a alta concedida pelos médicos. Portanto, a alta ajuda o doente devidamente recuperado a retornar para a sua residência.
Por falar na alta, é uma alta que ajuda os bombeiros. Para apagar incêndios e salvar vidas, os bombeiros dependem de uma alta, quer dizer, dependem de uma baita escada alta. A escada dos bombeiros é ou não é uma alta que ajuda?
Até mesmo os turistas dependem do alto que ajuda. É do mirante que eles veem melhor a paisagem nada inútil. E o que é o mirante a não ser um alto que ajuda? Ajuda - e muito - o turismo.
As companhias de energia elétrica também são beneficiadas pelo alto que ajuda. O alto em questão é o poste que distribui a luz, cuja conta está mais alta que o distribuidor. Não é à toa que as empresas do setor ganham rios de dinheiro (quase que escrevo oceanos de dinheiro).
O mundo cor-de-rosa da moda, o mundo fashion, depende muito das altas, e está aí a top model Gisele Bündchen que não me deixa desmentir. Ela é uma alta que ajuda a alta costura e, com seus desfiles, enriquece ela mesma, os estilistas, costureiros e outros profissionais do ramo.
Já que falei em comércio de roupas de grife, um alto importante para os lojistas é o alto-falante, o comercial ambulante que ajuda a vender produtos e, inclusive, é ouvido também pela alta sociedade.
E cruzeiro marítimo? Vamos para alto-mar no maior alto-astral a bordo de um transatlântico, desses onde se pode apreciar quadros em alto-relevo (viram  que sequência magnífica de altos que ajudam?).
E pelo jeito a autoestima do brasileiro só vai melhorar se receber a ajuda de um alto, quer dizer, de uma alta... conta bancária, deixando o brasileiro altaneiro. E a alta fidelidade? Bem, isso existia nos antigos aparelhos de toca-discos, as vitrolas, e falta em muitos casamentos, mantidos sob alta tensão, e nos partidos, onde fidelidade partidária é coisa do passado.
 
DROPS

Os índios Cintas-Largas são os únicos brasileiros que não estão nem aí com esse sufoco de aperto do cinto.

O governo deve achar que o povo é parafuso e, por isso, aperta tanto.

O candidato gastou tanta saliva na campanha eleitoral que acabou internado com desidratação.

Não solte balão nem balão de ensaio.

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