Aos meus professores do Pré à 8ª série

Roberto Mancuzo

CRÔNICA - Roberto Mancuzo

Data 13/10/2020
Horário 12:09

Não faça conta, mas eu sou da época que tinha pré-escola, primário (1ª a 4ª séries) e ginásio (5ª a 8ª séries) e por conta do dia 15 de outubro, vou homenagear quem ajudou a me educar e moldar minha personalidade: os professores desta época.

Pré-escola
Tia Amélia Nishimura e Tia Neide Vessoni -
com muita paciência, primeiro não deixou a gente se matar, e como crianças que éramos, trouxeram as primeiras palavras para o vocabulário e o entendimento do que era a vida. Obrigado!

1ª Série
Dona Verenice Crepaldi –
As primeiras letras, as sílabas, o mundo todo pela frente. Não me esqueço da imagem que tenho na mente da senhora me entregando o livro que a gente recebia quando era alfabetizado. Que conquista.

2ª Série
Dona Zuleica –
Qual professora lhe deu um cachorro de presente? Eu ganhei a Simony, uma fox paulistinha, da professora que montou a mais linda biblioteca que já conheci, o Clube do Livro, em Junqueirópolis. Obrigado!

3ª Série
Dona Lindaura –
Que mulher forte, polida e ao mesmo tempo dona da gargalhada mais perfeita. Fez com que eu entendesse que a vida pode ter muito mais graça se a gente mesmo quiser. Obrigado!

4ª Série
Dona Cida –
Aprendi com ela, mesmo que indiretamente, sobre direitos civis. Acontece que uma amiga minha, no alto de seus 7 anos, decidiu que ela não era boa e organizou um abaixo-assinado para que fosse substituída. Claro que não deu certo e ela cumpriu seu papel. Obrigado (e desculpe hehe)! 

5ª Série a 8ª Série
Aqui a gente praticamente virava adulto. Porque não havia mais um professor por sala, mas sim vários, que se revezavam no período. E era o momento em que comprávamos o tão sonhado caderno de 8 ou 10 matérias! Era um evento.

Dona Nair, professora de Língua Portuguesa – A senhora não tem noção do quanto foi fundamental para que fosse um jornalista e zelasse tanto pela nossa língua.

Seu Braz, professor de Inglês – Seu Braz, o que eu sei hoje de inglês é o que senhor me ensinou e olha que sempre que vou lá no estrangeiro nunca chega na minha mesa exatamente o que eu pedi, mas não morro de fome.

Dona Bernadete, professora de Matemática – Confesso que se tiver pela frente cinco contas iguais de matemática, eu chego a cinco resultados diferentes e os cinco errados. Emprestei essa do Ariano Suassuna, mas é claramente eu. A questão, dona Bernadete, é que apesar de não ter adquirido o gosto pelos números, aprendi com a senhora a ser firme, lutador e dar atenção a todos aqueles que precisam de mim.    

Dona Divonete, professora de História – Ultimamente lembro todo santo dia da senhora, em especial quando vejo atos antidemocráticos que pedem fechamento de Congresso, STF e volta da ditadura. Fez de mim um cidadão consciente e evita que eu passe vergonha por não ter noção da história do meu país.

Seu Roberto Mancuzo, professor de Geografia – É, meu pai mesmo. Esses dias, passando pelo Mato Grosso do Sul, estava eu ensinando para meus filhos que as árvores do Cerrado são pequenas e retorcidas e aí me lembrei que um dia, o senhor me ensinou a mesma coisa. Isso é legado.  

Seu Marcílio, professor de Ciências – Era a aula mais massa, íamos para o laboratório brincar de cientista maluco, e o senhor, com toda sua estatura de professor (porque altura nunca foi seu forte, heheh) ensinava a todos sobre como o mundo pode ser explicado de forma correta.

Seu Milton, professor de Educação Artística – um dia o senhor pediu que pintássemos o céu em uma folha de sulfite. Todos carregamos a folha com a tinta azul da aquarela. Daí nos levou para fora da sala e mostrou como o céu é multicolorido. Aquilo para mim foi como se um mundo de cores e texturas se abrisse e juro que minha arte fotográfica hoje tem muito a ver com esta aula, dada em uma mera terça-feira à tarde.

Seu Zinho e Seu Antônio Carlos “Português”, professores de Educação Física – Amava este momento, em especial o basquete na quadra de concreto na escola Neide Macedo Brandão Fernandes! Estes dois me influenciam até hoje a não ficar parado, a cuidar do corpo e da mente. Obrigado!

*Em tempo – se sou um homem de fé hoje, devo aos meus professores, Elizabete Mancuzo, Sérgio Roncon e Sidney Santos, catequistas e professores que conseguiram me formar na unidade e no amor de Deus.

Roberto Mancuzo é jornalista, escritor e cronista, autor dos livros "Cinco Pedras de Davi" (ed. Ave Maria) e Deus não Evita, Ele muda o Final (ed. Canção Nova). Especialista e consultor em Comunicação Empresarial, jornalista e professor dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Faculdade de Comunicação Social de Presidente Prudente, da Universidade do Oeste Paulista. Doutor em Geografia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Mestre em Comunicação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

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