Banco Central lança Pix: sistema de pagamentos instantâneos

Para educador financeiro, lançamento poderá significar a “queda” das formas de transferências utilizadas hoje, como o TED, DOC, cheques ou boletos

REGIÃO - MARCO VINICIUS ROPELLI

Data 04/10/2020
Horário 05:20
Arquivo: Moisés acredita que agilidade e segurança do Pix cairão no gosto do povo Arquivo: Moisés acredita que agilidade e segurança do Pix cairão no gosto do povo Imagem: Arquivo: Moisés acredita que agilidade e segurança do Pix cairão no gosto do povo

O anúncio do início da operação do sistema de pagamentos e transferências bancárias Pix, pelo BC (Banco Central) do Brasil para 16 de novembro e início do cadastros de usuários em 5 de outubro, para o educador financeiro Moises Martins significa a derrubada dos métodos atuais de operações bancárias, como o TED (Transferência Eletrônica Financeira), DOC (Documento de Ordem de Crédito), cheques ou boletos, isso porque o Pix oferece, entre outras coisas, algo que nenhum dos métodos podem oferecer: transferências imediatas (efetuadas em até 10 segundo) 24 horas por dia, sete dias por semana e 365 dias por ano.

Outras vantagens da nova plataforma são a ausência de custo para pessoas físicas e a possibilidade de realizar pagamentos através de um QR Code (“Quick Response”, a versão moderna dos códigos de barra). Com isso, para pagamentos de produtos adquiridos em E-Commerce bastará apontar o celular para o código na tela do computador e confirmar o pagamento com a senha.

Essas mudanças, para Moisés, são um caminho sem volta, pois além das facilidades de “se ter um banco na palma das mãos”, o sistema oferece segurança, visto que é administrado pelo próprio BC. Sobre a segurança, o educador financeiro exemplifica com o golpe do depósito de envelopes vazios em caixas eletrônicos. Segundo ele, através do Pix, toda transferência efetuada resulta em uma série de informações que ficam registradas no sistema, entre as quais, o recebimento do dinheiro imediatamente após a efetuação transferência.

Para que se entenda o sistema e seus benefícios, imagine algumas situações hipotéticas. São 23h e um pessoa precisa realizar uma transferência bancaria. Pelo TED o dinheiro só cairia na conta do favorecido no outro dia. Pelo DOC cairia depois de dois dias. Pelo Pix cai em 10 segundos.

Agora imagine que alguém que trabalhe o dia todo e precise fazer uma transferência urgente. Neste caso, esta pessoa poderia pedir para algum familiar ou amigo fazer a transferência em seu nome até às 17h (horário limite para o TED ser recebido no mesmo dia). Com o Pix, é possível fazer essa transferência em qualquer lugar, pelos aplicativos e sites dos bancos ou instituições financeiras.

A última situação hipotética: ao realizar uma transferência para algum favorecido, o depositante não tem em mãos todos os dados bancários da pessoa (para TED e DOC são necessários nome completo e CPF [Cadastro de Pessoa Física] ou CNPJ [Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica] de quem vai receber o dinheiro e dados bancários: agência, conta e código do banco). No Pix, com o cadastro devidamente realizado, basta uma dessas três informações para realizar a transferência: CPF/CNPJ ou e-mail ou telefone celular.

Pessoas jurídicas cobrirão juros

“Esse sistema já existe na Europa, tem desde 2017 nos Estados Unidos e deu certo nesses lugares, aposto que vai cair no gosto do povo no Brasil também”, ressalta Moisés. Segundo ele, todos os bancos e instituições financeiras com mais de 500 mil clientes terão que aderir ao Pix, mas mesmo os menores tendem a aderir também, para entrarem na concorrência.

Segundo a Agência Brasil, serão tarifados pelo uso do Pix somente pessoas jurídicas. “De acordo com o diretor da Organização do Sistema Financeiro do BC, João Manoel de Mello, o Pix custa R$ 0,01 para cada dez transações, mas o custo será assumido pelas pessoas jurídicas que aderirem ao sistema”. O BC editará uma norma específica para detalhar onde o uso do Pix pode ser tarifado para pessoas jurídicas, explica a agência de notícias.

“O diretor anunciou que o BC está prestes a fechar convênios para que entes do governo aceitem pagamentos pelo Pix. Segundo Mello, as conversas com o Tesouro Nacional e com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estão em fase avançada. Para ele, o pagamento de faturas de serviços básicos ajudará a popularizar o novo sistema”, conclui a Agência.

O cadastro das Chaves Pix – combinação com telefone celular, CPF, CNPJ e e-mail necessária para operar a carteira digital – começará em 5 de outubro por meio do site ou aplicativo da instituição financeira que possui conta bancária.

 

 

 

 

 

 

 

 

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