Basquete e Atletismo aumentam conquistas

Vitórias nas quadras e nas pistas marcam presença de destaque na lista centenária de conquistas

Esportes - PAULO TAROCO

Data 14/09/2017
Horário 15:00

Talvez, nem o mais otimista entre os fundadores da Apea (Associação Prudentina de Esportes Atléticos), em 1936, solicitantes da prioridade do clube ao basquete nesta fase inicial, imaginaria que quase cinco décadas depois a equipe prudentina colocaria o nome da cidade nos lugares mais altos do pódio na modalidade.

No começo da década de 1980, o clube prudentino forma um time de basquete feminino que encheu os olhos de quem o viu jogar. A equipe comandada por Antônio Carlos Vendramini, que mais posteriormente se tornaria um dos treinadores de maior destaque no cenário nacional do basquete, contava com a participação de jogadoras como a norte-americana Beverly, Vânia, Vanira, Tuti, Jussara, Solange e a “rainha do basquete”, Hortência. A equipe se sagrou campeã paulista em 82 e 83 e sul-americana em 83 e 84. Mesmo após o início do desmanche desta geração, a equipe ainda foi celeiro de jogadoras de destaque, entre elas, Heleninha.

No decorrer da primeira década de 2000, uma parceria feita por empresas, a principal delas a Refrigerantes Funada, e o basquete masculino adulto prudentino colocou a cidade em competições profissionais federadas, entretanto a parceria não durou muito e, logo, deixou a cidade novamente sem representante neste cenário. Ano passado, o basquete masculino deu ao torcedor prudentino um pouco do gosto sentido com as conquistas obtidas no auge do basquete feminino na década de 1980. A equipe sub-16 da cidade, comandada por José Alves da Silva Júnior, Negativo, foi campeã Paulista da categoria.

 

Geração de destaque

A partir da segunda metade da década de 1980, começava a ser por montado um projeto esportivo que posteriormente daria muitas alegrias aos amantes do esporte de Prudente, o projeto de uma equipe de alto rendimento no atletismo, comandado por Jayme Netto Júnior, que chegara em Prudente no começo da mesma década, “vindo de Rolândia (PR) para estudos”, como conta o treinador.

O pernambucano Inaldo Sena, na época com 18 anos, foi um dos primeiros a embarcar em Prudente para compor o projeto de Jayme, entre 1988 e 89. Inaldo foi convidado, uma vez que já vinha destacando como representante do estado dele na prova dos 400 metros rasos.

Pela equipe, Inaldo competiu até o ano de 1997, período em que participou de dezenas de competições internacionais representando o Brasil, como os Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, na Espanha e a Copa do Mundo de Atletismo de 1994, em Londres, na Inglaterra, onde o velocista foi terceiro colocado.

Ainda nos primeiros anos da equipe, nomes como William Graça e Eroníldes de Araújo também foram destaque. “Durante esses anos, 28 atletas olímpicos passaram por minhas mãos. É um número maior do que alguns países já revelaram”, diz Jayme.

 

Feito simbólico

Dentro desse feito citado por Jayme, está a geração que brilhou nos Jogos Olímpicos de Sydney, na Austrália, em 2000, o quarteto prudentino da equipe brasileira do revezamento 4 x 100 metros, formado por Claudinei Quirino, Vicente Lenílson, André Domingos e Edson Luciano, conquistou aquilo que poder ser apontada como o maior feito pelo esporte local aqui, a medalha de prata no revezamento. Antes disso, nos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, no Estados Unidos, a equipe do revezamento 4 x 100, também treinada por Jayme e que contava com já com André, além de Robson da Silva, Edson Ribeiro e Arnaldo da Silva, levava o bronze e anunciara o feito que estava se amadurecendo em 2000.

Em 1996, Quirino era suplente da equipe de bronze, além disso, vinha passando por alguns problemas na perna no decorrer do período. Quirino, natural de Lençóis Paulista (SP), chegou em Prudente em 1993, a convite de Jayme, que o descobriu na equipe de Araçatuba. “Eu passa por um problema sério e pensava até em passar por uma cirurgia. Quando o Jayme conversou comigo, me convidou para vir e me ajudou muito”, relembra o ex-velocista. Também antes do feito simbólico em Sydney, Quirino relembra que por fruto do trabalho realizado em Prudente obteve inúmeros bons resultado na carreira, como as quatro medalhas conquistadas nos Jogos Pan-Americanos do Canadá, em 1999.

Mas foi mesmo na Austrália em 2000 o feito mais significativo. Após cruzar a linha de chegada na segunda colocação da prova do revezamento 4 x 100, atrás apenas da equipe norte-americana, Quirino, que encerrou o revezamento, levantou a bandeira prudentina em forma de agradecimento à cidade que os acolheu. “O que mais destacaria nessa conquista, além da dedicação de todos, pois as condições não eram as melhores, chegamos a treinar na terra, empurrando carro, era com o que tínhamos, o que marcou foi o incentivo do Jayme que jamais nos permitiu desistir. Além disso, o apoio de Álvares Machado que sempre nos emprestou a estrutura para podermos realizar os treinos quando não tínhamos como treinar aqui”, relembra Quirino.

Ainda nas pistas, Prudente permaneceu revelando atletas para o selecionado brasileiro nos últimos anos. Os medalhistas olímpicos Bruno Lins, bronze em Pequim, na China, em 2008, no revezamento 4 x 100 metros, e o paratleta Gustavo Henrique de Araújo, ouro no revezamento 4 x 100 metros na Paralímpiada do Rio de Janeiro em 2016, estão entre os destaques. Leonardo de Melo, paratleta que tem representado a cidade nas corridas de rua, e Bruno Spinelli e Jean Casemiro, que hoje competem por uma equipe paulistana, são também revelações recentes das pistas prudentinas.

 

Futuro

Hoje, a equipe de base do atletismo prudentino é treinada por Inaldo e pelo irmão Eliseu Sena. A equipe projeta para um futuro não muito distante, mais especificamente os Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, em 2020, a conquista de medalhas para o Brasil por meio de atletas formadas na pista da FCT-Unesp, dirigidos pelos irmãos Sena. Dentro desta expectativa, estão os nomes de Camila Santos, corredora dos 100 e 200 metros, Maria Vitória Belo de Sena, velocista dos 100, 200 e 400 metros, e Giovana Rosália, especialistas nos 400 metros, que, este, já trouxe duas medalhas para o Brasil no Mundial sub-18 do Quênia desse ano.

Mesmo diante de um cenário com expectativas, Inaldo reforça a necessidade da continuidade e de novos projetos “no intuito de trabalhar o âmbito social e esportivo dos jovens”. “Além de melhorias necessárias” na estrutura e na pista de treinamento da equipe, para melhor desenvolvimento da modalidade em Prudente.

Na linha de raciocínio de Inaldo, Jayme destaca a importância e a necessidade do município realizar novos projetos, oferecendo “bolsas de apoio aos atletas”, para novamente por em prática projetos e manter equipes de alto rendimento esportivo, como defende o treinador.

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