Bem-vindo ao metaverso!

Na era em que já é possível morar, consumir e até negociar por meio dos chamados “criptoativos”, a atuação de profissionais também vem sendo ressignificada

PRUDENTE - DA REDAÇÃO

Data 03/07/2022
Horário 11:55
Foto: Freepik
Atuação de profissionais também vem sendo ressignificada, graças às inúmeras possibilidades oferecidas pelo metaverso
Atuação de profissionais também vem sendo ressignificada, graças às inúmeras possibilidades oferecidas pelo metaverso

Imagine viver em um mundo fundido entre o real e o digital. Essa é a realidade da Web 3.0, que promete revolucionar as relações humanas. Na era em que já é possível morar, consumir e até negociar por meio dos chamados “criptoativos”, a atuação de profissionais também vem sendo ressignificada, graças às inúmeras possibilidades oferecidas pelo metaverso.  
Ao contrário do que se pensa, o conceito de “metaverso” não surgiu com a mudança de nome do Facebook para Meta, no ano passado. Jogos como The Sandbox e Decentraland, lançados em 2012 e 2015, já permitiam aos jogadores a construção de vidas digitais em um ambiente próprio.  
Seu diferencial, no entanto, está em sua base: a blockchain – sistema imutável que registra operações e rastreia ativos em cada metaverso. Na levada do play-to-earn (em português: ‘jogar para ganhar’), as criptomoedas e os tokens não fungíveis (NFTs) obtidos por cada usuário são armazenados no amplo sistema de dados.  
Nesse jovem e promissor mercado, a expectativa é movimentar cerca de R$ 800 bilhões nos próximos dois anos, segundo análise da Bloomberg Intelligence. Sob esse contexto, a valorização das criptomoedas, como Ether e Bitcoin, e a entrada de empresas como Hyundai, Adidas, Nike e Tommy Hilfiger, tem chamado a atenção de profissionais, que enxergaram no metaverso uma oportunidade de expandirem sua atuação, unindo lazer à possibilidade de ganhar dinheiro. 
A arquiteta e urbanista Jaqueline Baldacim é a prova disso. Seu interesse por esse universo surgiu ainda na faculdade, durante o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), quando abraçou duas áreas que gostava: patrimônio e games. A partir daí, começou a projetar seus primeiros mobiliários para serem vendidos no marketplace do Decentraland, até chegar à projeção de cenários e prédios.  
“Até então, mobiliários e objetos de decoração quase não existiam. Nós encontrávamos muitas peças de roupas, mas faltava algo voltado à decoração dos ambientes”, relembra a egressa da Toledo Prudente
Atualmente residindo em São Paulo e seguindo carreira independente, Jaqueline mantém parcerias com grandes projetos, como a Metaverso Rio, que planeja a criação da “cidade maravilhosa” no metaverso. Ainda, está na fase final de projeção de um prédio comercial no The Sandbox, além de arenas para um jogo de cartas que ocorrerá no metaverso.  
Ela também já participou da construção de um cenário medieval, cuja integração foi feita com o Oculus – voltado à realidade virtual e realidade aumentada. Projetos em que a liberdade criativa fala mais alto.  
“Diferente do ‘mundo real’, onde nós, arquitetos, precisamos seguir normas e leis de zoneamento, no metaverso isso ainda não foi implementado, o que nos deixa com uma tela em branco pronta para ser modelada da forma que a nossa imaginação permitir ou da forma como o nosso cliente deseja. Podemos também desenvolver simulações de cenários reais, criar peças exclusivas e que podem ser vendidas como um NFT”, observa Baldacim.  

Universo de milhões

Uma das “big four” do ramo de auditoria e consultoria no mundo, a PwC (Price Waterhouse Coopers) movimentou a economia do metaverso ao anunciar uma grande aquisição de terrenos para seus clientes no Decentraland, valor especulado em mais de US$ 150 milhões pelo mercado.  
Esse acontecimento reforça o crescimento da rede que vem atraindo a atenção de investidores e que, na prática, visa ampliar as interações humanas no ambiente digital, pautadas por um contexto expandido e descentralizado.  
Segundo Jaqueline, os profissionais da área de arquitetura e urbanismo podem esperar novos desafios e possibilidades de criar livremente, visto que não existem barreiras que limitem os projetos de saírem do papel; mas, para isso, é necessário dedicação.  
“É um modelo de trabalho que, assim como qualquer outro, requer tempo e estudo para se aperfeiçoar. O grande diferencial é que no metaverso você não precisa correr atrás de clientes para começar seus projetos. Você ganha experiência, as pessoas te notam e, consequentemente, novos projetos surgem. É um mercado que, com certeza, vai crescer ainda mais e vai precisar de profissionais que sejam capacitados para executar esses projetos. Sendo assim, é importante ter conhecimento amplo em diferentes áreas. Afinal, é um ambiente completamente novo”, ressalta.

Foto: Cedida


Formada na Toledo Prudente, arquiteta Jaqueline Baldacim segue carreira no metaverso

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