Catador de materiais recicláveis é preso por atear fogo em carro no Jardim Jequitibás, em Prudente

Em companhia de um adolescente, 16 anos, autuado teria pratica ato para se vingar de agressão, no entanto, incêndio criminoso envolveu veículo “errado”

PRUDENTE - MELLINA DOMINATO

Data 06/02/2026
Horário 09:02
Foto: Polícia Civil
Veículo sofreu danos extensos decorrentes da ação direta do fogo, com destruição parcial da estrutura
Veículo sofreu danos extensos decorrentes da ação direta do fogo, com destruição parcial da estrutura

A Polícia Civil de Presidente Prudente pediu à Justiça a conversão da prisão em flagrante em preventiva de um catador de materiais recicláveis, 20 anos, que foi detido pela Polícia Militar, na madrugada desta sexta-feira, por ter ateado fogo em um automóvel no Jardim Jequitibás. Detentor de extensa ficha criminal, ele confessou que praticou o crime, em companhia de um adolescente, 16 anos, para se vingar de um indivíduo que teria agredido a dupla, momentos antes, em um bar. O veículo destruído, no entanto, não era do suposto do agressor, mas de uma mulher que havia estacionado próximo de sua residência.

Durante interrogatório na Delegacia Seccional, o autor, que foi autuado ainda por corrupção de menores, admitiu sua participação no incêndio criminoso. Ele detalhou que estava em um bar consumindo bebida alcóolica com o menor, quando ambos foram surpreendidos por um homem desconhecido, que os agrediu com tapas no rosto. Motivados por vingança, o preso e o adolescente, que não foi localizado pela PM, acionaram um motorista de aplicativo e passaram a seguir o carro do suposto agressor. No entanto, depois de parar em um posto para comprar combustível, teriam perdido o veículo de vista.

“O interrogado relatou que, ao avistar um automóvel de cor prata estacionado na via pública, presumiu erroneamente tratar-se do veículo pertencente ao indivíduo que os havia agredido. Sem realizar qualquer verificação adicional ou certificar-se da identidade do proprietário, o interrogado e o adolescente procederam ao derramamento do combustível sobre o automóvel e, em seguida, atearam fogo no mesmo”, revela o Boletim de Ocorrência sobre o caso.

O menor ainda teria sofrido queimaduras no momento em que o fogo se alastrou pelo veículo. O preso chegou a informar que o adolescente procurou atendimento médico na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Jardim Guanabara, porém o menor não foi localizado posteriormente pelas autoridades policiais naquele local. 

“Carro errado”

“Confrontado, o interrogado admitiu categoricamente que não conhece a vítima [proprietária do carro incendiado], nunca manteve qualquer tipo de contato com ela ou seus familiares, e reconheceu que incendiou o veículo errado, causando prejuízo a pessoa inocente, que nada tinha a ver com a situação”, frisa o BO. “O interrogado não soube ou não quis fornecer informações detalhadas sobre a identidade ou características do verdadeiro agressor, tampouco sobre as circunstâncias exatas da suposta agressão inicial que teria motivado seu desejo de vingança”, prossegue.

O veículo sofreu danos extensos decorrentes da ação direta do fogo, com destruição parcial da estrutura, consumo de componentes internos, sistema elétrico, revestimentos, bancos e demais acessórios. “A perícia técnica competente deverá proceder ao exame detalhado para quantificação precisa dos danos e estimativa do prejuízo material causado”, indica o registro.

O documento ainda revela que envolvido possui situação criminal registrada como “medida cautelar”, com histórico de envolvimento em múltiplos inquéritos policiais e processos criminais, envolvendo lesões corporais, porte e tráfico drogas, furtos e receptação. Ele chegou a ser preso em flagrante por três vezes, somente em 2024, mas foi liberado por alvarás de soltura. 

“O histórico criminal do indiciado demonstra reiteração na prática delitiva, envolvimento com crimes patrimoniais, lesões corporais, delitos relacionados a entorpecentes e, notadamente, registro anterior pela prática do mesmo crime de corrupção de menor ora imputado, evidenciando padrão de comportamento voltado à criminalidade e desrespeito às normas legais e às decisões judiciais que lhe foram impostas”, avaliou o delegado de plantão que solicitou a previsão preventiva do acusado.
 

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