CHARANGA DOMINGUEIRA de 05-06-2016

Esportes - Flávio Araújo

Data 05/06/2016
Horário 12:05
 

ME DÁ UM DINHEIRO AI?


Boleiro de qualidade e mesmo os medianos vivem hoje muito bem. Principalmente uma classe que de acordo com a gíria futebolística "desceu o morro". O futebol nasceu elitizado desde os primórdios e a prova mais evidente dessa realidade no Brasil é que para cá foi trazido pelos ingleses, funcionários das empresas que exploravam nossa precária infraestrutura. Energia elétrica, transportes, o pouco do que o brasileiro usufruía vinha da Inglaterra. Por isso foram tantos os Charles Miller que por aqui espalharam o futebol. O negro teve que batalhar muito para entrar nessa roda até que se atingisse o ápice dos dias atuais onde o afro-brasileiro se tornou indispensável em todas as equipes. O futebol hoje não vive sem eles e seu faturamento é muitas vezes superior aos brancos diplomados. Surgiu então um problema que muitos não souberam resolver a contento: a administração de um patrimônio vultoso, ganho com o valor das pernas, mas que desaparece com extrema facilidade nos ralos da vida. Hoje está em voga a profissão de consultor financeiro especializado em atletas de futebol e os próprios clubes junto aos sindicatos profissionais procuram se organizar para ter os seus atletas sem problemas financeiros. Não são poucos os atletas que desde o amadorismo viveram muito bem de vida e a contrapartida daqueles que terminaram a caminhada sem um tostão é também verdadeira. No profissionalismo lembro-me de técnicos que como Osvaldo Brandão obrigava seus jovens atletas a investirem em imóveis -"seus pais têm uma casa para morar?" – era uma pergunta recorrente do saudoso técnico quando um jovem atleta depois do primeiro contrato aparecia no clube no dia seguinte manejando um carrão. Brandão chegou a obrigar jogador sob seu comando a devolver automóvel comprado com as primeiras luvas. Esse não é um problema brasileiro, é planetário. Paul Gasgoyne, grande astro inglês é um dos exemplos mais recentes de milionário que vive de favores por causa da bebida. Mané Garrincha é o nosso maior exemplo de como viver hoje sem pensar no amanhã. Mas, creio que não existe exemplo mais significativo do que o britânico George Best, galês considerado por muitos na ilha gelada como o maior jogador de futebol ali produzido. George Best foi em sua época o maior ídolo do Manchester United e toda vez que alguém conseguia fazê-lo falar sobre os seus dias de glória tinha uma frase predileta para justificar a razão de sua pobreza: "Ganhei muito dinheiro com o futebol. Gastei 90% de tudo que recebi em bebidas, mulheres e carros. O resto eu desperdicei" .

Flávio Araújo, jornalista e radialista prudentino escreve aos domingos neste espaço.

 
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