Comerciantes acumulam estoques de extintores

Após suspensão da obrigatoriedade do produto do tipo ABC, empresários do setor, em Prudente, amargam prejuízos

PRUDENTE - Rogério Lopes

Data 07/04/2016
Horário 09:59
Um "grande prejuízo". Assim apontam proprietários de lojas de extintores de Presidente Prudente, após a suspensão da obrigatoriedade do uso do equipamento de segurança nos veículos. Os estoques lotados demonstram os investimentos de até R$ 40 mil para a aquisição dos itens do modelo ABC que, agora, "juntam poeira" nas prateleiras dos estabelecimentos. Após muita correria no início de 2015 por parte dos motoristas para adquirir o novo tipo de extintor – que era obrigatório nos veículos – os estoques esgotaram e fez com que os donos de postos e lojas reforçassem os estoques. No entanto, a obrigatoriedade não foi "muito longa", sendo revogada, pelo próprio Contran (Conselho Nacional de Trânsito), em setembro do ano passado.

Jornal O Imparcial Paulo Bergara soma mais de R$ 40 mil em prejuízos

Para os comerciantes que adquiriam o equipamento em grande quantidade e para os motoristas, que desembolsaram até R$ 235 para comprar o extintor, todo o procedimento (primeiro de ser obrigatório, depois deixar o uso como facultativo), foi "um desrespeito com o brasileiro". Segundo os entrevistados, faltou planejamento, estrutura e bom senso para os órgãos competentes.

 

Estoque cheio

Em determinadas lojas, a procura pelo produto caiu 100%. Se no começo de 2015, o item de segurança passou a ser comercializado de R$ 70 para, em média, R$ 150, hoje, voltou ao preço "normal", podendo até cair um pouco mais, para que seja vendido. O proprietário do Ao Rei dos Extintores, Paulo Cesar dos Santos Bergara, diz que o prejuízo da empresa foi mais de R$ 40 mil. "Temos mais de 400 peças do modelo no estoque", comenta.

Quanto à procura, Paulo diz que ainda existe, mas, dos 50 interessados, em média, que compareciam na loja por dia, no começo do ano passado, hoje apenas cinco por semana aparecem procurando o extintor ABC. "São pessoas que querem garantir a segurança, independentemente da obrigatoriedade", aponta. Já na Exticarlos Extintores, a representante Maria Fernanda Donadi informa que o prejuízo gira em torno de R$ 20 mil, referente às 200 peças que estão no estoque. "Isso foi falta de planejamento e acarretou perdas para todos", lamenta.

Esta mesma situação é pontuada pelo sócio-proprietário da Mata Fire Extintores, Orlando Magro Neto. Lá, ele pontua que, desde a queda da obrigatoriedade, a procura "caiu totalmente", o que acarretou no acúmulo de 150 equipamentos "parados" no estabelecimento. "Os prejuízos chegam a R$ 10 mil. Não vendemos mais o modelo", comenta. Já no Posto Prudentão 3, o dono do estabelecimento, Lourivalter Gonçalves, informa que existem mais de 100 peças que não foram comercializadas. O custo disso, para o "caixa do local", gira em torno de R$ 6 mil. "Além do respeito, faltou estrutura do órgão competente. Um prejuízo para todos", reforça.

 

Motorista

Com o extintor no veículo – pois o mesmo já saiu com o carro da concessionária –, a gerente de vendas Gabriela Andrade de Lima, 29 anos, acredita que o que ocorreu "foi uma palhaçada", em que as custas do prejuízo ficou por conta dos comerciantes e proprietários dos veículos, que foram obrigados a comprar o equipamento. Para ela, o ato foi mais uma jogada financeira e, que, depois de toda correria, foi suspensa. "Uma falta de respeito com a população", critica.

 

Multa

A queda da obrigatoriedade foi instituída pelo Contran, por meio da Resolução 556, tornando facultativo o uso do extintor ABC em automóveis, utilitários, caminhonetas, caminhonetes e triciclos de cabine fechada. No entanto, conforme o Contran, o Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), e a Polícia Militar, por meio da Assessoria de Imprensa do 18º BPM/I (Batalhão de Polícia Militar do Interior), quem optar em possuir o extintor no veículo deve seguir as normas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Trânsito. Isto inclui a validade do equipamento. Caso o item de segurança esteja vencido, o motorista será multado em R$ 127,69 (infração grave), e serão lançados cinco pontos na carteira de motorista do condutor.  

 

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