A negociadora-chefe da delegação brasileira, Lilian Chagas, definiu a COP 30 como a conferência que finalmente deu arquitetura para a agenda global de adaptação. O ponto mais concreto foi consolidar o financiamento de adaptação no curto prazo, atendendo a uma demanda histórica dos países vulneráveis.
Lilian Chagas ressaltou quatro avanços estruturantes, como a criação do Acelerador Global de Adaptação, mecanismo que vai canalizar recursos e apoiar a implementação de metas nacionais; a aprovação de indicadores globais de adaptação, que vão orientar investimentos e medir o progresso real dos países; o estabelecimento de um espaço permanente para discutir comércio e clima. Além disso, a aprovação do Programa de Trabalho de Transição Justa, mecanismo que os países poderão acionar para proteger trabalhadores e comunidades na transição energética, um tema que estava emperrado.
Para ela, o legado central é o seguinte: “Os resultados respondem às demandas dos países mais vulneráveis, e fortalecem o sistema multilateral em um momento de crise geopolítica”. Na avaliação do embaixador André Corrêa do Lago, o maior legado da conferência foi ter produzido consenso em 29 textos negociados por 195 países, um feito que ele classificou como “extraordinário” no cenário internacional.
Segundo ele, a conferência passou por momentos de tensão, especialmente quando a plenária foi suspensa para esclarecer queixas sobre o fechamento de um dos textos técnicos. Ele explicou que a decisão foi necessária diante do volume de debates: Esse episódio não revela desorganização, mas sim, a complexidade de uma COP que conseguiu manter todos os países na mesa, sem rupturas, apesar das divergências sobre fontes de energia.
Segundo Marina Silva, a COP 30 detalhou avanços objetivos: a implementação de planos de aceleração, com a inclusão de medidas para combustíveis sustentáveis, mercado de carbono, indústria verde e comércio climático; a centralidade inédita da adaptação, colocando a adaptação “no mesmo nível das outras agendas”, graças ao financiamento triplicado e à aprovação dos indicadores globais.
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