Corrida contra o tempo: quais são os sinais de um AVC?

Guilherme Menezes, neurologista

PRUDENTE - OSLAINE SILVA

Data 30/07/2020
Horário 08:12
Cedida - Neurologista Guilherme Menezes diz que o fator tempo é primordial para tratamento de um AVC Foto: Cedida - Neurologista Guilherme Menezes diz que o fator tempo é primordial para tratamento de um AVC

Neste momento em que o pavor tomou conta das pessoas com o medo de serem contaminadas pelo novo coronavírus, se faz necessária a orientação e esclarecimento de profissionais da saúde para que ao sinal de que alguma está errada com seu organismo, procure imediatamente uma unidade de atendimento hospitalar. É o que alerta o médico neurologista, que atende no HR (Hospital Regional) de Presidente Prudente Dr. Domingos Leonardo Cerávolo, Guilherme Menezes, 32 anos, que fala nesta edição sobre a importância de um rápido diagnóstico para tratamento de um AVC (Acidente Vascular Cerebral).

É comum que, diante da recomendação de que permaneçam em casa, muitas pessoas ignorem os sintomas de uma emergência neurológica, no caso um AVC, e acabem não recebendo o atendimento médico a tempo? 
Desde que começou essa pandemia do novo coronavírus e se alarmou no Brasil, estamos tendo muitos desses problemas. As pessoas ficam com medo de sair de casa, e às vezes, mesmo apresentando sintomas neurológicos sérios, como a hemiparesia, ou seja, um dos lados do corpo paralisado; um desvio de rima, como no dito popular com a boca torta; não conseguindo falar ou sorrir, não procuram a emergência médica. 

O que o “tempo” de atendimento significa nesse caso? 
O tratamento de um AVC é totalmente dependente de tempo. O tempo é primordial, porque existem tratamentos que precisam ser instituídos no máximo até quatro horas e meia. E se o paciente chega fora de tempo para o médico diagnosticar, avaliar, pode complicar. Então, é muito importante que mesmo nesta pandemia, se atentem a qualquer sinal neurológico e procurem um hospital urgente. Estamos preparados e com o menor grau de exposição à Covid.

Como saber que é o momento de procurar uma unidade de saúde? Quais os sintomas iniciais?
Temos ainda que fazer um trabalho maior de divulgação sobre o assunto, mas circula um folder por todo o Brasil exatamente com essa finalidade, que é a sigla SAMU que tem o S de Sorrir: a orientação a quem estiver com uma pessoa com sintomas de um AVC, é pedir ao paciente para sorrir. Desta forma, vai identificar se um lado do rosto mexe ou não. O A significa o abraço: quando se pede à pessoa que te dê um abraço [neste momento de pandemia, peça que ela levante os dois braços]; o M é de Mensagem. Peça para o paciente dizer alguma frase para verificar se ele consegue ou não falar. Ou ainda se sua fala é incompreensível, ou se tem dificuldade e gagueja. E, por último, a vogal U, de Unidade de Emergência. Ou seja, que deve ser acionada o mais rapidamente para levar este paciente ao hospital.

Por que é tão importante o atendimento prematuro no caso de um AVC? 
O que temos num AVC é uma obstrução da artéria. Basicamente, a patologia apresenta um trombo arterial [coagulo] dentro da artéria que vai levar o sangue para o cérebro. O que põe os neurônios em sofrimento e com o tempo vai os matando. Então, a cada minuto de demora, a gente perde 2 milhões de neurônios. Isso é muito, muito mesmo. Então, quanto mais rápido esse paciente chegar ao hospital para ser avaliado e iniciarmos as terapêuticas de obstrução desse vaso, mais rápido ele pode prover de grande melhora, evitando um dano maior.

A CADA MINUTO DE DEMORA, A GENTE PERDE 2 MILHÕES DE NEURÔNIOS. ISSO É MUITO, MUITO MESMO

É possível prevenir o AVC? De que forma? 
O AVC é uma doença totalmente prevenível, como com a mudança da alimentação, que deve ser balanceada, evitar gorduras, praticar exercícios, controlar o colesterol, diabetes, pressão arterial, evitar o etilismo, tabagismo, consumo de drogas. Tudo isso ajuda a prevenir, a evitar um AVC. Logo, os principais fatores de risco são: hipertensão, colesterol alto, sobrepeso, obesidade, tabagismo, uso excessivo de álcool, drogas ilícitas, sedentarismo e também histórico familiar.

É possível apontar uma faixa etária mais acometida por este problema?
Existe sim uma faixa de prevalência do AVC que vem junto com as comorbidades citadas na resposta anterior, geralmente a partir dos 45/50 anos, até os mais velhos. Mas, é bom frisar que existem pessoas jovens com problemas cardíacos, trombofilias ou outras causas que apresentam o AVC. Já vimos, inclusive, em neonatos e crianças pequenas. Temos que estar muito atentos aos sinais que a pessoa possa apresentar, sejam elas crianças, adolescentes, jovens ou adultos.

ATENÇÃO
O Ministério da Saúde orienta:

Caso qualquer um desses sintomas apareça é fundamental ligar para a unidade de atendimento de sua cidade. Em Presidente Prudente, no caso, trata-se do Same (Serviço de Atendimento Móvel de Emergência - 192), Bombeiros (193) ou levar a pessoa imediatamente a um hospital para avaliação clínica detalhada. Quanto mais rápido for o atendimento, maiores serão as chances de sobrevivência e recuperação total. (saude.gov.br).

Entrevista médico de Prudente sobre como identificar um AVC

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