Desvalorização da moeda e alta da soja deixam óleo de cozinha mais caro

Segundo economista, queda do real, aumento da demanda mundial e do preço da saca de soja contribuem para o reajuste

PRUDENTE - CAIO GERVAZONI

Data 25/07/2021
Horário 07:15
Foto: Caio Gervazoni
Em Prudente, preço médio do frasco de 900 ml de óleo está em R$ 7,55
Em Prudente, preço médio do frasco de 900 ml de óleo está em R$ 7,55

A vida do trabalhador brasileiro não anda fácil. Além de enfrentar a crise sanitária gerada pela pandemia, o consumidor tem que se virar para poder ter o alimento de cada dia em sua mesa. A inflação impulsiona a alta dos preços nos supermercados. O óleo de cozinha é um dos produtos que mais teve aumento nos últimos meses. O IPT (Índice de Preços Toledo), realizado em 16 de junho pela Empresa Júnior da Toledo Centro Universitário, de Presidente Prudente em seis supermercados da cidade, mostra que o preço médio do frasco de 900ml de óleo está R$ 7,55, sendo possível encontrá-lo pelo menor preço de R$ 7,29 e o maior de R$ 7,99. 
O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada USP/Esalq) revela que no Estado de São Paulo, por exemplo, o consumidor está pagando, em média, R$ 7,45 pela garrafa de 900 ml, valor duas vezes mais caro do que em julho de 2020, quando o preço médio era de R$ 3,86.
O professor universitário e economista, Alexandre Bertoncello, aponta alguns fatores que reverberam na alta do preço do óleo de soja. Segundo o economista, as exportações aumentaram em 2,5% na safra 2020/21, isto quer dizer que, das 135,6 milhões de toneladas produzidas no país, 86 milhões de toneladas devem ser exportadas, ou seja: está faltando soja para o mercado interno. 
“Outro ponto foi a desvalorização do real, que foi muito forte, próximo de 39% no último ano. A saca da soja saiu de US$ 19,60 em 2020 para US$ 33,50 em 2021. Em outras palavras, subiu o preço da soja em dólar, além do real ter desvalorizado”, pontua o professor.

Mas, o preço vai reduzir?

No entanto, é possível que o óleo de cozinha volte a ficar mais em conta num futuro próximo? “A questão cambial parece estar mudando, o dólar está desvalorizando e por este motivo o preço em real vai subir e a soja vai abaixar, mas este motivo não será suficiente para vermos o óleo diminuir, porque a demanda mundial está aumentando, as safras [oferta] subiram menos que a demanda e os estoques estão mais baixos não apenas no Brasil como em todo o mundo”, explica Bertoncello. 
A perspectiva nos supermercados da cidade também não é das melhores. A gerente do Supermercado Estrela, da Cohab, Regina de Souza Linhares, fala que a alta no preço comum do óleo de soja impactou nas vendas do mercado e que as saídas só aumentam quando o produto entra em promoção. “Segundo o setor comercial da empresa, vai ter um novo aumento no preço do óleo. Neste último lote que veio conseguimos um preço um pouco menor, mas no próximo já virá com aumento novamente”, explica. O gerente do Supermercado Avenida, da Avenida Coronel José Soares Marcondes, João Luís Nicolosi Gasparino, também fala sobre esta questão. “Infelizmente, o preço aumentou. Porém, as vendas continuam altas. Hoje, o preço de venda normal dele é R$ 7,39. Só que o consumidor final não consegue ficar sem o óleo de cozinha, né? E você não consegue migrar para um outro produto, mesmo porque os preços dos outros tipos de óleo também subiram”, relata.

Clinete sempre tem razão

Em uma tarde ensolarada de semana no início de julho, durante a compra mensal, a dona de casa Margarete Lischinski mostra-se abismada com a alta constante dos preços no supermercado. Para ela, que teve que conciliar o uso do óleo de soja com banha de porco, o aumento é “um absurdo”. “Muitas pessoas não estão tendo nem como comprar os alimentos para poder fazer sua comida. Eu mesma reduzi muito o uso do óleo. De quatro frascos que antes eu comprava, agora, eu compro dois e assim vai. Vou me virando como posso para encontrar alternativas. Tem que saber conciliar uma coisa com a outra, senão, o brasileiro não come mais”, lamenta.

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