Doula sente impacto da pandemia em seu trabalho 

Apesar de feedbacks de pacientes demonstrarem a importância do apoio das profissionais no contexto atual, muitos imaginam que seus trabalhos estão restritos ao acompanhamento do parto, mas não é

REGIÃO - MARCO VINICIUS ROPELLI

Data 14/10/2020
Horário 05:01
Rodrigo Batista/Cedida - Foto de antes da pandemia demonstra contato que há entre parturiente e doula, algo que não ocorre atualmente 
Rodrigo Batista/Cedida - Foto de antes da pandemia demonstra contato que há entre parturiente e doula, algo que não ocorre atualmente 

“A doula, em minha gestação, foi fundamental, dando suporte de informações e segurança emocional”, fala a mãe de primeira viagem, Ana Carolina dos Santos Souza, 29 anos, que se viu como nunca imaginou: gravida durante a maior crise sanitária dos últimos 100 anos. A doula, profissional que vem pouco a pouco se popularizando, dentre outras coisas, prestam serviços de informação, empoderamento e desenvolvimento da confiança aos pais, atributos indispensáveis à superação da pandemia e suas incertezas.
Alline Largueza dos Reis Matricardi, 41 anos, é doula em Presidente Prudente. Ela, como vários outros profissionais, fora impactada pela Covid-19. “Neste período de quarentena temos feito o possível para manter o trabalho com as mães, mas tivemos que fazer diversas adaptações. A principal foi diminuir o atendimento presencial, substituindo pelo virtual. Tanto nos encontros pré e pós-parto, como no atendimento ao parto, já que nossa entrada não está sendo permitida nos hospitais em Presidente Prudente”, relata.
Sobre a impossibilidade de entrar nos hospitais para acompanhar e dar suporte à gestante na hora do parto, Alline revela que tenta ser compreensiva, dado o momento complexo, mas afirma que tal situação gera prejuízo às parturientes. “É um momento de muita fragilidade, em que todo suporte é bem-vindo, infelizmente, elas estão sendo privadas de ter a nossa presença. Mas nada como a resiliência para nos ajudar nesses momentos desafiadores. Então, procuro intensificar ainda mais o trabalho de preparação, tanto da gestante como do acompanhante, para que eles se sintam mais preparados e confiantes para encarar os desafios na hora do trabalho de parto e parto”, enfatiza.
A doula destaca que, por esses impedimentos impostos pelo atual momento, a procura pelo trabalho reduziu, visto que muitas mulheres pensam que o trabalho das doulas se resume à presença delas no hospital, mas, conforme explica Alline, não é. O acompanhamento se dá antes, durante (agora com auxílio de meios digitais) e depois do parto. Por isso, ela conta, algumas profissionais até deixaram de atuar neste período. 
Segundo Alline, o atendimento se prolonga normalmente até o primeiro mês de vida do bebê ou um pouco mais, de acordo com a necessidade da mãe e/ou família, sendo que nesse período, a doula continua fornecendo apoio nas questões da amamentação, adaptação familiar e nas dificuldades do puerpério, que também se configura como um momento bastante intenso, delicado e desafiador para a mulher.

Primeiro mês: novo normal

Por falar em primeiro mês, as mamães Ana Carolina e Maria Silvana Filgueira da Silva, 30 anos, celebraram essa importante data há pouco tempo. Nestes poucos meses de vida, seus nenéns, para muitos amigos e parentes, só apareceram por meio de fotos ou aplicativos de videoconferência, formas de zelo com a saúde dos pequenos.
Maria Silvana afirma que nas três primeiras semanas que a filha Laura esteve em casa ninguém pôde visita-la. Só depois disso que alguns parentes, poucos, puderam vê-la presencialmente, mas de longe, com uso de máscara e mãos higienizadas. “Ninguém pegou no colo”, afirma a mãe zelosa.  
Ana Carolina, da mesma forma, afirma que só familiares muito próximos viram o pequeno Guilherme até então, e os que viram, foram aqueles que estão resguardados, cumprindo a quarentena e em home office. Além disso, todos que o viram, estavam com todos os paramentos necessários para a segurança sanitária. “Não é chatice, é que o bebê é muito vulnerável”, salienta.
Na casa de ambas, os maridos, que trabalham fora, antes de colocarem os pés dentro da residência, deixam as roupas na lavanderia e, antes que cheguem perto dos filhos, tomam banho, de maneira a reduzir risco de trazerem o vírus para o lar.

SAIBA MAIS
De acordo com Alline Matricardi, o trabalho das doulas se inicia na gestação com a educação perinatal. Ele será o alicerce que vai fundamentar, preparar e fortalecer as escolhas da gestante e de seu acompanhante para a jornada do parto que virá lá na frente. 
Enquanto realiza esse apoio informacional com a gestante/casal durante o pré-natal, a doula vai criando um vínculo com os mesmos, o que servirá de base para o trabalho na hora do parto.
No trabalho de parto, a doula provê suporte emocional para a gestante e seu acompanhante, além de auxiliar no alívio das dores através de técnicas não farmacológicas nem invasivas como, por exemplo, o uso da bola, chuveiro, massagens, técnicas de respiração, sugestão de posições e exercícios, aromaterapia, entre outras. A doula não é profissional técnico de saúde, portanto, não realiza nenhum tipo de procedimento, como ausculta ou verificação de dilatação e nem mesmo aferição de pressão ou intervenção na conduta médica.
O trabalho da doula não para por aí! Ainda no dia do parto, a profissional auxilia a recém-mãe no manejo da amamentação e primeiros cuidados com o bebê.

Carlos Braga/Cedida

pandemia impacta em trabalho de doula em presidente prudente
Prover suporte emocional para a gestante e seu acompanhante é um dos trabalhos da doula

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