Enfrentando a  quimioterapia na velhice 

OPINIÃO - Sergio Munhoz Pereira

Data 29/06/2022
Horário 04:30

Algumas doenças não escolhem idade, sexo ou nacionalidade. Entre estas situações estão os tumores malignos. Quase todos necessitarão de cirurgia, quimioterapia ou radioterapia. Durante décadas trabalhei num hospital oncológico e entendendo quais eram as dificuldades que muitos idosos apresentavam para o atendimento médico, abaixo relato algumas orientações para familiares ou cuidadores. 
Primeiramente, deve-se explicar sobre a doença. A notícia de um diagnóstico de tumor maligno é um processo mais doloroso e traumático. É importante ao paciente o que é a doença, onde está localizada, qual o tamanho, qual o comprometimento no corpo, qual a possibilidade de cura total, quais são os tratamentos preconizados, o que devem fazer quanto ao trabalho e família. Informar de forma detalhada e como doenças associadas do idoso podem impactar e como o idoso deve proceder.
A segunda informação consiste nas formas de tratamento: se será tratamento apenas com remédios, se terá que realizar cirurgia, ou poderá associar cirurgias e quimioterapia e radioterapia. Nem sempre todas as informações podem ser exatas, visto que a doença e o doente reagem de muitas formas. 
Quanto à quimioterapia, uma forma muito frequente de tratamento contra o câncer, será imprescindível explicar com o máximo de detalhes: o que é, como é feita, o que utiliza e o objetivo principal. Ela é um tratamento que utiliza medicamentos para destruir as células doentes e são empregados medicamentos de várias maneiras: pela boca na forma de comprimidos, cápsulas e líquidos e pode ser feito em casa; ou administrado o remédio na veia, no músculo, debaixo da pele ou no canal da espinha dorsal e sempre no hospital. 
Por fim, deve-se explicar sobre a duração do tratamento. De modo geral, é planejado de acordo com o tipo de tumor e varia em cada caso, desde dias até meses, sempre com espaços de tempo entre eles. Importantíssimo que mesmo que o paciente sinta algum mal-estar ou desconforto, as aplicações não devem ser suspensas. Jamais o paciente ou familiar deverá suspender o tratamento, somente o médico. 
Idosos que têm diagnóstico de tumores malignos, além das alterações próprias do processo de envelhecimento e doenças como hipertensão arterial, diabetes, enfrentam melhor estas situações com o apoio da família.

 

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