Entidades discordam de "otimismo” do ICAgro

PRUDENTE - MELLINA DOMINATO

Data 16/12/2016
Horário 09:42
O ICAgro (Índice de Confiança do Agronegócio) do 3º trimestre, medido pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e pela OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), alcançou 106,3 pontos, alta de 4,2 pontos em relação ao trimestre anterior. A pontuação é recorde na série histórica do indicador, iniciada em 2013 e, conforme a Assessoria de Imprensa da Fiesp, confirma o otimismo do setor. De acordo com a metodologia da pesquisa, divulgada em novembro, uma pontuação igual a 100 pontos corresponde à neutralidade. Resultados acima disso indicam confiança. No entanto, o cenário exposto pelo levantamento não é o constatado na região de Presidente Prudente, segundo a UDR (União Democrática Ruralista) e o Sindicato Rural sediado na capital da Alta Sorocabana.

Jornal O Imparcial Nabhan: "Discordo, pois o dinheiro desapareceu do mercado"

O presidente da UDR, Luiz Antonio Nabhan Garcia, discorda do cenário retratado pela pesquisa e diz que o setor produtivo, incluindo o agronegócio, se encontra em "situação preocupante". "Não sei de onde tiram esse otimismo. Estamos descapitalizados, os grãos estão em baixa, a arroba do boi está em baixa, ou seja, estamos em sinal amarelo. Discordo desde índice, pois o dinheiro desapareceu do mercado e os financiamentos não saem, portanto, os recursos de fomento estão escassos", comenta.

A mesma opinião tem o 1º vice-presidente do Sindicato Rural de Prudente, Jacob Tosello Júnior. "O consumo está baixo por conta da crise. O cenário só deve melhorar quando houver uma retomada geral na economia. É uma cadeia, ou seja, a retomada de um setor depende dos demais", explica.

 

Sondagem


Sobre o ICAgro, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, por meio da assessoria, afirma que tal sondagem confirmou a forte variação de quase 20 pontos ocorrida no segundo trimestre deste ano. "Da mesma forma, o principal indicador a alavancar o resultado foi a economia do país. Mesmo com o crescimento da preocupação com a queda dos preços, por exemplo, a confiança de que o Brasil sairá da maior crise econômica de sua história sustentou o índice em níveis elevados", comenta. "Sabemos que a confiança dificilmente se manterá se os indicadores econômicos não apresentarem uma melhora efetiva, o que somente ocorrerá com as reformas estruturantes de que precisamos e essa agenda começa com a aprovação da PEC do teto dos gastos públicos pelo Senado Federal", declara.

Também por meio da assessoria da Fiesp, o presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas, destaca que a confiança do produtor agropecuário, que registrou o quinto aumento trimestral consecutivo, foi influenciada por uma situação mais favorável para culturas que vinham sendo castigadas, como a cana-de-açúcar, o café e a laranja, que compensaram a falta de entusiasmo com a queda nos preços de grãos, cujas cotações vêm caindo desde que atingiram o pico, no segundo trimestre deste ano.

Como em todos os elos da cadeia analisados pelo indicador, os fornecedores de insumos agropecuários fecharam o terceiro trimestre com 108,2 pontos, 6,4 pontos a mais que o resultado anterior. Os setores de fertilizantes e defensivos agrícolas contribuíram para o otimismo. No entanto, neste elo da cadeia, as condições específicas do negócio preocupam, como os preços dos grãos para a próxima safra, o que afeta o agronegócio de forma geral.

Ainda no terceiro trimestre de 2016, a indústria "depois da porteira", ou seja, de alimentos, conseguiu sustentar o otimismo e a avaliação positiva que conquistou no trimestre anterior – depois de registrar pontuação abaixo dos 100 pontos por oito trimestres consecutivos – e avança 2,8 pontos, fechando o período com 103,4 pontos.

"No entanto, a recuperação do consumo mais lenta do que a esperada limitou ganhos mais expressivos de confiança", expõe a assessoria.

 

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