Estudantes de 15 nacionalidades estão na rede municipal de ensino de Prudente

Ao todo, são 41 alunos; a maioria deles é proveniente de países da América do Sul e Central, como Venezuela, Colômbia e Haiti respectivamente  

PRUDENTE - CAIO GERVAZONI

Data 05/09/2021
Horário 05:25
Foto: Freepik
Das 62 escolas da rede municipal de ensino em Presidente Prudente, 24 possuem alunos estrangeiros
Das 62 escolas da rede municipal de ensino em Presidente Prudente, 24 possuem alunos estrangeiros

Historicamente, ao longo dos séculos, a formação social do Brasil foi feita a ferro e fogo por imigrantes - colonizados e colonizadores - pessoas de origens distintas que dão grau a diversidade étnica e cultural do país. A região de Presidente Prudente não foge à regra. No início do século 20, a expansão dos trilhos da estrada de ferro Sorocabana deu início ao processo de colonização desta região. De acordo com o Atlas Ambiental Escolar de Presidente Prudente, projetado por alunos e professores do campus da Unesp de Prudente, a expansão do ensino acompanhou a marcha do café e possui relação direta com o desenvolvimento do município. O primeiro grupo escolar foi instalado em 1925. 

Atualmente, o ensino municipal demonstra as características da imigração recente para Prudente e delineia um traço dos fluxos migratórios dos quais o Brasil é uma das principais rotas na América do Sul.

De acordo com os dados da Secom (Secretaria Municipal de Comunicação), das 62 escolas da rede municipal de ensino em Presidente Prudente, 24 possuem alunos estrangeiros. Ao todo, são 41 estudantes dos quatro cantos do planeta. A maioria dos alunos é proveniente da Venezuela (17), Haiti (8) e Colômbia (5), mas também há estudantes oriundos do Paraguai (2), Egito (2), Síria (1), México (1), Canadá (1), Reino Unido (1), Portugal (1) e Japão (1) e mais um cuja nacionalidade não foi informada.

A Escola Municipal Dr. Aziz Felippe possui a maior quantidade de discentes imigrantes ou refugiados no ensino municipal. No total, são cinco: três haitianos e dois venezuelanos. A diretora interina da escola, Marta Carolina Ribeiros Dias Almeida, fala sobre a questão da recepção da comunidade escolar às famílias que vieram de fora. “A nossa função aqui também é de acolhimento. Mostrar para os outros alunos que os que vieram de países, cujas línguas são faladas em outro idioma, são crianças com a mesma capacidade de aprendizado e podem compreender perfeitamente o que nós queremos transmitir para elas, basta que adequemos a forma como vamos apresentar aquilo que será ensinado”, relata Carol.

A diretora explica que o trabalho de orientação é conjunto aos familiares das crianças estrangeiras e que o processo de acolhimento dos alunos à comunidade escolar parte de uma conversa calma, tranquila e que busca conciliar a cultura de origem do imigrante aos hábitos culturais do Brasil. “A gente faz um trabalho de conversar com a mãe ou com o responsável da criança. Orientá-los com as palavras que forem faladas em português e as apostilas que nós utilizamos”.

Com a pandemia, o contato remoto é maior e a participação da família é fundamental para a adaptação do aluno ao contexto de aprendizagem. A diretora expõe que este processo também é feito virtualmente, por meio de áudios, troca de imagens e atividades; quando não há entendimento, é usado o recurso de tradução por intermédio do Google Tradutor. Neste período, a escola também oferece plantões presenciais, com o comparecimento dos pais e das crianças.

“Nós tentamos da forma mais metodológica, com o maior carinho possível, inserir estas crianças em um novo contexto cultural, mas não tirando dela a cultura materna, como a língua e a alimentação de origem. A gente tenta conciliar um leque do contexto cultural brasileiro que é diferente para a criança, sem desprezar aquilo que ela traz”, pontua a diretora interina.

 

Desafio

Segundo a coordenadora de Gestão Educacional do município, Francielle Bonfim Beraldi, a chegada do aluno imigrante na escola representa um desafio para a comunidade escolar. “Mas, isto também é enriquecedor para os alunos brasileiros. Esta convivência, por representar um exercício diário de respeito, conhecimento de outras culturas, é também um momento de reflexão sobre a nossa”, relata a coordenadora.

Conforme Francielle, a Secretaria Municipal de Educação orienta os professores a manter um ambiente inclusivo e, se requisitada pela escola, a pasta busca profissionais na rede que falam o idioma de origem, caso a criança não consiga se comunicar em português, para auxiliar a transcrição dos conteúdos. “Atualmente, nossos alunos imigrantes que estão aprendendo a língua portuguesa, tem interagido bem com os professores e as turmas. Acreditamos que esse processo vai melhorar ainda mais com o retorno das aulas presenciais”, pontua. No dia 16 deste mês, conforme noticiou este diário, as escolas municipais de Prudente retomaram as atividades presenciais.

A coordenadora conta que, anteriormente à pandemia, já havia um grande esforço do município em buscar a socialização das crianças estrangeiras junto aos colegas de turma.

“Os professores têm ministrado as aulas síncronas e buscado a participação das crianças e interação entre elas. Se por um lado, a pandemia dificultou a interação entre os alunos para que eles socializassem com a comunidade, por outro lado, a tecnologia também auxilia na questão do idioma porque os professores têm mais ferramentas que contribuem com o trabalho”, indica a coordenadora.

REFUGIADO OU IMIGRANTE?

Os termos ‘refugiado’ e ‘imigrante’, por vezes, geram muita confusão. Com o aumento das crises humanitárias e políticas ao redor do globo, há, consequentemente, o crescimento do deslocamento de um maior número de pessoas em busca de uma condição de vida mais favorável e digna em outro país. Porém, estes muitas vezes são tratados com desconfiança, preconceito e intolerância. O Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) indica que o termo refugiado é destinado a pessoas que estão em situação de risco e vulnerabilidade, pois não têm proteção de seus respectivos países e sofrem ameaças e perseguições políticas. Para ‘imigrante’, a entidade designa que o termo deve ser usado para indicar pessoas que optaram por viver no exterior, principalmente, por motivações econômicas ou educacionais, podendo voltar com segurança ao seu pais de origem se assim desejar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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