Farmacêutico dá vida ao Bosque dos Ipês em Álvares Machado

Localizado no Residencial Gramado, espaço foi criado por Kiochi Tatizawa em setembro de 1994; atualmente, a florada atrai moradores e visitantes do condomínio

REGIÃO - WEVERSON NASCIMENTO

Data 09/09/2020
Horário 15:54
Cedida - Kiochi Tatizawa criou o bosque dos ipês no Residencial Gramado
Cedida - Kiochi Tatizawa criou o bosque dos ipês no Residencial Gramado

“Preservar a natureza, cultivar o belo, cuidar da qualidade de vida das próximas gerações e amar a vida”, descreve o texto de Eli Tatizawa sobre a criação do Bosque dos Ipês, no Residencial Gramado, em Álvares Machado. A construção do espaço teve início em 1992 e foi finalizado em setembro de 1994 por Kiochi Tatizawa, antigo farmacêutico do município machadense. Hoje, 26 anos depois, as floradas no local chamam atenção dos moradores, como já relatado por este diário. 

O residencial localizado no município vizinho, nas proximidades do Balneário da Amizade, em Presidente Prudente, tem um bosque de ipês com aproximadamente 20 mil metros quadrados, criado pelos esforços Kiochi Tatizawa. Tal espetáculo é considerado o primeiro bosque de espécimes em condomínio na cidade.

Sua iniciativa na época surgiu do anseio de reflorestamento, algo que sempre carregou consigo durante toda a vida, conforme descreve a filha Eli Tatizawa. “Ele sempre se dedicou a projetos de arborização urbana. Na época, nossa região tinha muito ipê-roxo e ipê-amarelo. Então, ele pesquisou muito sobre a cultura até chegar à Unesp [Universidade Estadual Paulista] de Botucatu [SP], onde conseguiu aproximadamente 500 mudas de ipês-brancos. Como fomos um dos primeiros proprietários de lotes do Residencial Gramado, ele teve a permissão e iniciou o plantio dos ipês em meados de 1992”, relembra a filha. 

O espaço criado ao lado de uma mina, que dá vida a um lago, facilitou ainda mais o trabalho do farmacêutico para regar as mudas de ipês, que só foram plantadas quando atingiram 80 centímetros. Ah, e uma curiosidade, antes de dar nome ao bosque, Kiochi tinha uma dúvida se todas as espécies seriam brancas. Naturalmente elas precisam de aproximadamente quatro anos após a germinação das sementes para a primeira floração, conforme descreve o biólogo André Gonçalves Vieira.

Preservação ambiental

O atual diretor legislativo da Câmara Municipal de Álvares Machado, Paulo José Vilalva Martins, relembra que na época Kiochi tinha como meta plantar um bosque, sendo este planejado e executado por ele mesmo. “O condomínio estava no início do loteamento e ele procurava por um local. Foi quando escolheu o residencial, que fica próximo de uma aérea de preservação ambiental, o Balneário da Amizade. Ele entendia que estando aqui seria um local preservado”, explica Paulo, que na época atuava como diretor de administração da Prefeitura. “Uma das mudas de ipês, inclusive, foi plantada junto à Prefeitura do município por Hironori Otsuka, então presidente mundial da Organização Wadô-Ryu [1996], a convite de Kiochi, que na época era membro da diretoria da Aceam [Associação Cultural, Esportiva e Agrícola Nipo-Brasileira de Álvares Machado]”, complementa Paulo.

O “farmacêutico dos pobres”, como era conhecido, faleceu em 1998 em decorrência de um infarto. Além de usar seu dom para curar enfermidades, trouxe paz para um local que, certamente, renova as esperanças. “Meu pai não teve a oportunidade de ver florido, mas se dedicou muito ao bosque. Ele sempre amou aquele espaço”, comenta Eli.

Foto: Paulo Martins - Presidente mundial da Organização Wadô-Ryu plantou um ipê na Prefeitura

Foto: Cedida/Eli Tatizawa - Kiochi Tatizawa criou o Bosque dos Ipês no Residencial Gramado

Foto: Juliana Coissi - Local é o primeiro bosque de espécimes em condomínio na cidade

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