O fim do ano costuma despertar em muitas pessoas o desejo de renovação. Entre as festividades, o Natal ocupa um lugar especial, por celebrar o nascimento de Jesus Cristo, cuja vida e ensinamentos são reconhecidos como referências de compaixão, humildade e cuidado com o próximo. É um momento propício para reencontros, pausas e reflexão. Também oferece a chance de prestar mais atenção a sentimentos que, no dia a dia, passam despercebidos. A gratidão é um deles.
Mais do que uma demonstração de educação, a gratidão tem sido tema de estudos em diferentes áreas da saúde. Um desses estudos, publicado no Journal of Positive Psychology, analisou 13 pesquisas com mais de 3.800 participantes e encontrou associação entre gratidão e melhores indicadores de saúde.
Entre os efeitos observados, destaca-se a redução da chamada inflamação de baixo grau. Ao contrário de uma inflamação aguda, que se manifesta com dor ou febre, esse tipo ocorre de forma contínua e sem sintomas aparentes. Ainda assim, pode afetar a parede dos vasos sanguíneos, favorecer o acúmulo de gordura nas artérias e aumentar o risco de infarto. Estresse, má alimentação e sono irregular contribuem para esse processo. Atitudes que promovem equilíbrio emocional, como cultivar gratidão com regularidade, ajudam a reduzir esse desgaste e trazem benefícios ao coração.
Também foram identificadas melhoras em outros aspectos, como o ritmo dos batimentos cardíacos, a estabilização da pressão arterial e o controle da glicemia. Em pessoas com doenças cardiovasculares, a gratidão esteve associada a menor comprometimento dos vasos. Já entre indivíduos saudáveis, observou-se uma tendência à prevenção de fatores de risco.
Outro ponto relevante foi a relação entre gratidão e comportamento. Quem expressa esse sentimento com mais frequência tende a aderir melhor aos tratamentos, cuidar da alimentação, manter uma rotina ativa e lidar com os desafios do dia a dia de forma mais assertiva. Esses hábitos, ao se tornarem consistentes, formam um alicerce para uma saúde plena.
Embora simples, esse tipo de prática requer constância. Algumas estratégias são bastante acessíveis, como escrever, no fim do dia, três situações pelas quais foi possível se sentir agradecido ou reservar alguns minutos para reconhecer o que funcionou bem ao longo do dia. Pequenos gestos como esses ajudam a reduzir sintomas de ansiedade, melhorar a qualidade do sono e ampliar a sensação de equilíbrio interno.
Neste Natal, em meio aos presentes, aos encontros e às celebrações, talvez valha incluir um gesto adicional. A gratidão não elimina os desafios, mas pode mudar a forma como os enfrentamos. Ao reconhecer o que há de valor no cotidiano, mesmo em períodos difíceis, ampliamos nossa capacidade de adaptação e favorecemos não apenas a saúde da mente, mas também a do corpo.
Que esta época do ano seja um convite à presença e ao cuidado. Praticada com intenção, a gratidão pode ser um ponto de partida. Não como uma promessa de cura, mas como uma escolha viável, concreta e acessível para quem busca uma vida mais saudável.