Membros da facção criminosa paulista são removidos a presídios federais

Indivíduos que estavam presos na P2 e CRP de Bernardes, assumiram funções de liderança após transferência de Marcola, em 2019

REGIÃO - ROBERTO KAWASAKI

Data 02/06/2021
Horário 12:09
Foto: Reprodução/Facebook
Remoção ocorreu ontem, sob forte esquema de segurança no aeroporto
Remoção ocorreu ontem, sob forte esquema de segurança no aeroporto

Quatro membros da cúpula da facção criminosa paulista foram transferidos de penitenciárias da região para presídios federais. A remoção ocorreu na tarde de ontem, sob forte esquema de segurança no Aeroporto de Presidente Prudente, que envolveu policiais militares e agentes da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária).

Os integrantes estavam presos na Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, P2 de Presidente Venceslau, e CRP (Centro de Readaptação Penitenciária) de Presidente Bernardes. Conforme informado pelo promotor de Justiça, Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o objetivo das transferências é o de desestruturar a cúpula da facção. 

“A remoção se dá porque o Ministério Público tem essa estratégia, de [transferir] todos os líderes que nós identificamos, não é qualquer preso, tem que ter uma periculosidade comprovada, uma função de liderança expressiva”, esclarece o promotor. “A gente tem procurado isolar esses presos nos sistema penitenciário federal, por isso fizemos o pedido, e ontem essa remoção se efetivou”. 

Das remoções, três foram requeridas pelo promotor, de integrantes presos no ano passado durante a Operação Sharks, coordenada por Gakiya, que cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra novas lideranças da facção. A ação, que contou com apoio da Polícia Militar e do 1º Batalhão de Polícia Militar de Choque, a Rota, investigava o setor financeiro da organização. 

“Esses presos eram da cúpula, depois que o Marcola [Marcos Willians Herbas Camacho] e os demais foram removidos, em 2019”, afirma o promotor. “Alguns desses presos assumiram função de relevância. Um deles, que estava na Operação Sharks, era o número 3 da organização criminosa”, salienta Gakiya.

Ainda conforme o promotor, outros dois também tinham função relevante, e estavam no Paraguai cuidando das finanças da facção.

“Verificamos que tem encaminhado um volume muito grande de dinheiro ao Paraguai. Em um ano e três meses, mandaram um R$ 1,2 bilhão provenientes do tráfico interno, sem contabilizar o tráfico para Europa”.

O quarto membro removido foi preso na Operação Fast Track, do Gaeco de São Paulo, que no ano passado prendeu oito advogados e o líder nacional da célula jurídica da facção que atuava para os membros transferidos a presídios federais.

“Serviam de pombo-correio. Embora os líderes estejam isolados, ainda têm atendimento de advogado, contato com a família, então, acabam conseguindo, com muita dificuldade, passar algumas ordens”, explica Lincoln. 


Roberto Kawasaki - Promotor Lincoln Gakiya, que investiga a facção criminosa paulista

Mais de 30 remoções

Ao todo, já foram mais de 30 transferências concretizadas. De acordo com o promotor, são integrantes que antes nunca haviam sido isolados em penitenciárias federais.

“O sistema prisional, como um todo, está numa aparente tranquilidade. Mas nós temos preocupações em manter essa população carcerária, principalmente esses que participam de organização, que são monitorados e controlados”, considera Gakiya.

“Embora tenhamos nos esforçado, feito essas investigações, esses grandes processos, remoções, a facção continua atuante, o tráfico ainda está a todo vapor tanto internamente quanto internacionalmente. Porque são setores que funcionam independentemente de isolar a cúpula, pois já tem as pessoas que estão nessas funções, então procuramos acompanhar o dia a dia, a evolução da organização e assim que surgem novas lideranças, que a gente identificando, a gente vai cuidar de pedir o isolamento a fim de enfraquecer essa organização”.

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