Mulas transportam drogas em troca de dinheiro

De adolescentes a idosas, “mão de obra” afasta traficantes de eventual flagrante em fiscalização policial

REGIÃO - ROBERTO KAWASAKI

Data 07/09/2021
Horário 09:00
Foto: Polícia Militar Rodoviária
Mesmo com fiscalização, “mulas” insistem no transporte
Mesmo com fiscalização, “mulas” insistem no transporte

Provavelmente, você já deve ter ouvido falar em “mulas do tráfico”. O termo faz referência àquelas pessoas que se submetem ao transporte de drogas em troca de dinheiro. Seja em decorrência das dificuldades financeiras, alguma dívida com traficantes, ou pelo simples fato de adquirir dinheiro fácil - esta é uma alternativa buscada por esses indivíduos.

“A expressão ‘mula do tráfico’ se refere àquela pessoa que não integra organização criminosa mas é isoladamente contratada para transportar a droga”, afirma o delegado de Polícia Federal, Daniel Coraça Junior.  Atualmente, não existe um perfil para identificar quem são as mulas. Isso porque os traficantes buscam pessoas que podem passar despercebidas em eventual fiscalização policial, a exemplo de mulheres idosas, adolescentes e gestantes.

Desta forma, este tipo de “mão de obra” afasta os “superiores” da abordagem policial. De acordo com o chefe de delegacia em Presidente Prudente, embora essa pessoa também cometa o crime de tráfico de droga, os tribunais superiores têm enquadrado a conduta como “tráfico privilegiado”. Diante disso, é aplicada a causa de diminuição de pena prevista no parágrafo quarto do artigo 33 da Lei 11.343/06 (Lei de Drogas).

A fim de tentar burlar possíveis abordagens policiais, os traficantes escolhem os mais diversos perfis de pessoas para realizarem o transporte. Os valores prometidos variam entre R$ 1 mil a R$ 3 mil, conforme acompanhado em matérias veiculadas por este diário, mas também podem chegar a recompensas maiores, o que também depende da quantidade de drogas. “Já ocorreu de muitas pessoas nos afirmarem durante a entrevista após prisão em flagrante, que estavam devendo, com dívidas e precisavam de alguma forma pagar”, lembra o tenente PM Daniel Bombonati Martins Viana, comandante da 2ª Companhia de Policiamento Rodoviário.

Mesmo sabendo que a fiscalização é constante e o risco de serem pegas em flagrante é iminente, ainda assim elas se submetem a essa situação. “Talvez o desespero levou essas pessoas a cometerem tal ilícito, outras se dispõem a ganhar dinheiro fácil”, afirma o comandante.

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