O fim da História

OPINIÃO - Thiago Granja Belieiro

Data 01/07/2021
Horário 05:00

“O Fim da História” é o título de um controverso livro publicado pelo historiador japonês Francis Fukuyama, em 1989. Ano da queda do Muro de Berlim e prenúncio do fim do socialismo real, Fukuyama anunciava o fim das mudanças históricas, das utopias e das divergências políticas entre capitalismo e socialismo, com o triunfo do capitalismo liberal das democracias modernas. 
A morte anunciada de um curso de História pode causar efeitos parecidos. Sem estudar e entender a História, perdemos o contato com as mudanças, com as diferenças e com a alteridade que formam a realidade presente e passada. Vivenciamos um modelo de sociedade como sendo único e natural. Perdemos o senso crítico e reflexivo, perdemos a memória e a identidade que cria nosso pertencimento ao mundo e a sociedade. Colocamos em risco nossa consciência democrática e cidadã, viramos as costas ao passado e às suas lições, perdemos a esperança de construir um futuro melhor. 
O curso de História da Faclepp (Faculdade de Artes, Letras, Ciências e Educação de Presidente Prudente) completa 49 anos em 2021. Sem novos alunos nos últimos três anos, o curso vive seu momento mais difícil. A reiterada crise da educação e desvalorização da profissão do professor têm sido responsável pela baixa procura pelas licenciaturas, o que nos ajuda a compreender esse trágico prenúncio. 

Uma cidade e uma região sem novos professores de História só pode esperar a ignorância, a falta de cultura e de civilidade

Ao longo de seus quase 50 anos, o curso de História da Faclepp formou centenas de professores, sendo inestimável sua contribuição para a região e a cidade de Presidente Prudente. Nos últimos anos, além de professores, o curso vinha formando jovens historiadores, que hoje fazem pesquisas de mestrado em universidades públicas paulistas e paranaenses. Os egressos do curso são motivo de orgulho pela excelente formação e pela atuação ética e crítica, como professores e pesquisadores. 
Não há dúvidas de que essa morte anunciada (que pode ser revertida, é preciso dizer) deixará uma imensa lacuna na formação de nossos estudantes, tanto na educação básica quanto na educação superior. Uma cidade e uma região sem novos professores de História só pode esperar a ignorância, a falta de cultura e de civilidade. A permanência e a continuidade do mesmo, isto é, o triunfo de um só modelo de sociedade. 


 

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