Na sociedade da informação em que vivemos, há necessidade e até dependência do uso intensivo de tecnologias de informação e comunicação (TIC), a internet, aplicativos e os dispositivos como smartphones e outros. Consumir informação se tornou premente e uma obsessão, deixando de lado a qualidade e utilidade do que chega e daquilo que é buscado ativamente.
Produzir informação também se tornou uma atividade democrática, pois adquiriu novo sentido com as possibilidades de uso/cópia, edição e compartilhamento dos conteúdos dos sites, blogs, postagens e reels das redes sociais, mensagens de aplicativos de comunicação, links etc. A popularização da inteligência artificial generativa nos últimos anos trouxe dezenas de ferramentas para o consumo e produção de informação.
Na ânsia de automatizar, agilizar e facilitar tudo, um aspecto está ficando de lado e para trás: o processo. Assim como uma criança não nasce e se torna adulta, madura e responsável no período de uma semana, um engenheiro civil (exemplo) não entra na faculdade e faz o projeto de um edifício após um mês. No período de quatro-cinco anos do curso, se desenrola o processo de aprendizagem, apropriação e domínio de informações, conhecimentos e soma de experiências (estágios e outras atividades), para que depois possa entender como juntar e organizar tudo para elaborar e implementar o projeto do edifício.
A facilidade de publicação e disseminação de informações e conteúdos em sites e redes sociais trouxe a ilusão de que todos podem se fazer de especialistas neste espaço virtual democrático, bastando ter no currículo a “formação em redes sociais”. Na realidade, os conteúdos relevantes são produzidos e disseminados por profissionais que passaram pelo “processo” de formação, que é um tanto mais demorado, dependente de leituras, tarefas, trabalhos, resolução de problemas, aprendizagem passiva e ativa, estágios, avaliações etc. Um processo comum, consolidado e aprimorado continuamente, que acontece durante a formação profissional na universidade.
As possibilidades de obter formação “informal” usando recursos de internet e inteligência artificial estão cada vez mais amplas. No entanto, dificilmente a formação será sólida e expressiva sem um processo com conteúdos organizados sequencialmente, com requisitos mínimos e tempo suficiente para que possam ser apropriados pelo estudante/profissional.
Num futuro não muito distante de hoje, as pessoas vão pensar (não mais digitar ou falar) e o aplicativo de inteligência artificial generativa vai realizar a tarefa. Será, talvez, o auge da automatização, agilidade, rapidez e facilidade para produzir informações, serviços e bens, já que os equipamentos de manufatura estarão conectados por 6G (?) à inteligência artificial. Pode parecer um mundo perfeito sobre alguns aspectos, mas talvez não sobre outros, pois o profissional terá que “pensar” com domínio de propriedades que foram estabelecidas em um processo de aprendizagem.