O início de um novo ano é, tradicionalmente, um tempo de projeções. No debate público, costuma-se falar muito sobre promessas, intenções e expectativas. No entanto, talvez o desafio mais honesto para Presidente Prudente em 2026 seja transformar em objetivos concretos aquilo que a cidade já conhece.
Ao longo das últimas décadas, Presidente Prudente tornou-se objeto de um amplo conjunto de estudos no campo da Geografia, consolidando-se como uma das cidades médias mais pesquisadas do Brasil. Esse acúmulo de conhecimento tem como referência a produção acadêmica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp (FCT-Unesp), onde grupos de pesquisa, programas de pós-graduação e projetos interdisciplinares vêm analisando, por meio de dissertações, teses e artigos científicos, as dinâmicas do território, as desigualdades socioespaciais, os impactos das mudanças climáticas, os processos de expansão urbana, as fragilidades ambientais e os desafios da gestão pública.
Estudos sobre o clima da cidade demonstram que os impactos de eventos extremos como enchentes do parque do povo, ilhas de calor e degradação de áreas verdes não são distribuídos de forma homogênea na cidade, atingindo com mais intensidade regiões periféricas e populações em situação de vulnerabilidade. Diante disso, um primeiro objetivo para Prudente precisa ser evidenciado: planejar o território a partir da justiça climática, utilizando dados científicos para orientar as políticas públicas.
Outras pesquisas evidenciam que o crescimento urbano do município ocorreu de forma fragmentada, desconectada de uma lógica integrada de mobilidade, equipamentos públicos e serviços. Transformar esse diagnóstico em prática é assumir como objetivo a articulação entre planejamento urbano e qualidade de vida, superando ações pontuais e investindo em políticas de médio e longo prazo.
No campo da cultura, os estudos também são contundentes. A produção acadêmica aponta a cultura não apenas como expressão simbólica, mas como elemento estruturante do território, da memória e da economia local. Isso é reconhecer como objetivo estratégico a valorização da cultura como política pública contínua, articulada ao planejamento da cidade, à educação e ao desenvolvimento social.
Outro ponto recorrente nas pesquisas sobre Prudente é a centralidade da participação social. Trabalhos que analisam políticas públicas e gestão municipal demonstram que decisões tomadas sem diálogo com a sociedade civil tendem a ser menos eficientes, menos duráveis e mais suscetíveis a conflitos e erros. Assim, um objetivo fundamental para o futuro da cidade deve ser o fortalecimento dos espaços participativos, não como formalidade institucional, mas como instâncias de construção coletiva.
Transformar conhecimento em prática exige também reconhecer o papel da universidade como parceira estratégica do poder público. Presidente Prudente entra em um novo ano com um acúmulo importante de saberes sobre seu próprio território. O desafio que se coloca não é descobrir novos problemas, mas assumir objetivos e a partir do que já foi estudado, debatido e comprovado. Planejar o futuro, nesse sentido, é um compromisso com a responsabilidade, a memória e a coletividade.
Referências sugeridas
As reflexões e dados apresentados neste texto dialogam com o amplo acúmulo de pesquisas produzidas no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (FCT-Unesp), especialmente dissertações e teses que analisam as dinâmicas territoriais, urbanas, ambientais, culturais e sociais de Presidente Prudente.
Teses e Dissertações - Unesp - Faculdade de Ciências e Tecnologia - Câmpus de Presidente Prudente