Os Gigantes

DignaIdade

COLUNA - DignaIdade

Data 10/11/2020
Horário 06:00

Na década de 1970, as novelas das oito (hoje das nove e meia) eram as líderes de audiência em todo o país. Sem concorrência com outras mídias e entretenimentos, a TV era praticamente a única opção para os milhões de brasileiros. E a sempre líder Rede Globo dominava chegando a alcançar audiências acima de 90 pontos no Ibope. Em 1979, uma destas novelas derrapou nesta curva de sucesso e afugentou telespectadores: “Os Gigantes”. Escrita por Lauro César Muniz e estrelada pelos maiores nomes da emissora (Dina Sfat, Tarcísio Meira, Francisco Cuoco, Suzana Vieira e Vera Fischer), a fórmula parecia que não tinha como dar errado. E deu. Com uma história soturna e trágica, que teve seu primeiro capítulo recheado com morte, eutanásia e funeral, o clima depressivo se prolongou ao longo da trama. A história girava em torno de Paloma (Dina) que retornava ao Brasil e se deparava com o irmão em condições vegetativas e decide desligar os aparelhos. A vingança da viúva Veridiana (Suzana) e a disputa de Paloma por dois amigos de infância (Tarcísio e Cuoco), em meio a uma trama que criticava as multinacionais, desinteressou por completo o público. Para completar, no final, Paloma tira a própria vida chocando o avião que pilotava contra o solo. Para se livrar do baixo astral, a novela seguinte foi a ensolarada “Água Viva”. 
    

“Por fora bela viola, por dentro pão bolorento”

Os ditados populares passam de geração a geração e continuam sendo precisos em suas mensagens simples. Por fora bela viola, por dentro pão bolorento é uma expressão que traz nas entrelinhas a tendência humana de ter um comportamento de fachada. As aparências do comportamento humano podem trazer realidades interiores bem diferentes e essas populares duas caras são bastante frequentes. Porém, esta expressão também pode ser aplicada a uma tendência bastante atual: a preocupação excessiva com a estética e o desmerecimento da saúde interna. Somos vice-campeões mundiais de procedimentos estéticos e temos condições gerais de saúde longe das ideais. A eterna busca pela embalagem perfeita nos impulsiona a gastar tempo e dinheiro com correções, tratamentos mirabolantes e rejuvenescimentos faciais. Obviamente, a autoestima e o bem estar pessoal são fundamentais para a saúde; o problema é o enfoque exclusivo na manutenção da casca enquanto a deterioração da gema ocorre sem impedimentos. Nossos órgãos internos sofrem a passagem do tempo e a influência dos fatores nocivos ao longo da vida, como alimentações inadequadas, tabagismo, abuso de álcool e sedentarismo. Cuidar da manutenção desta integridade celular daquilo que não é aparente não é prioridade para a maioria das pessoas. Todos querem reduzir as expressões fisionômicas do tempo com aplicações, cremes e cirurgias; buscam colocar lentes de contato nos dentes e tirar gordurinhas localizadas no bumbum e abdome. Paralelamente, se recusam a fazer tratamentos contínuos, a corrigir fatores de risco cardiovascular, a mudarem estilos de vida ou fazer exames clínicos periódicos. Os três grandes grupos de causas de mortalidade em idosos (doenças cardiovasculares, doenças cancerígenas e infecciosas) podem ser impactados com estas medidas. Desta forma, caminhamos com a funilaria perfeita e descuidamos da mecânica de nossos motores. É preciso desembolorar internamente. 

Dica da Semana

Livros

“Empatia – a arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo”: 
Editora Zahar. Autor: Roman Krznaric. O autor expõe os seis hábitos das pessoas extremamente empáticas: as que colocam o individualismo egoísta de lado e têm habilidades de se conectar com o outro de maneira muito eficaz. Leitura obrigatória para tempos tão difíceis. 
 

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