Para evitar rompimento de barragem do Balneário da Amizade, prefeituras elaboram plano de segurança

Após vistoria, municípios e Sabesp devem tomar providências consideradas urgentes pelo MPE, como medidas preventivas a possíveis desastres

REGIÃO - MELLINA DOMINATO

Data 29/01/2026
Horário 04:24
Foto: Arquivo
MPE recebeu comunicação sobre falta de plano de segurança de barragem do balneário em 2023
MPE recebeu comunicação sobre falta de plano de segurança de barragem do balneário em 2023

Equipes do MPE (Ministério Público Estadual) e das prefeituras de Presidente Prudente e Álvares Machado realizaram uma vistoria no Balneário da Amizade, na última sexta-feira. A inspeção constatou irregularidades que devem ser sanadas com urgência, segundo o promotor de Justiça, Jurandir José dos Santos. As providências visam evitar um possível rompimento da barragem, fato que poderia levar as águas da represa para a Rodovia Raposo Tavares (SP-270), o que provocaria um desastre que resultaria em diversos transtornos.

Entre as medidas solicitadas aos municípios, Jurandir aponta a elaboração de um plano de segurança de barragem, que é obrigatório por lei, além da limpeza do local, com a retirada da vegetação e, principalmente, o controle de árvores de grande porte que cresceram no chamado “paredão”, as quais podem vir a comprometer a estrutura da barreira. As prefeituras anunciaram nesta quarta-feira que estão desenvolvendo o projeto em conjunto.

Já da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que a Promotoria afirma retirar água da represa para fornecer à população desde antes da privatização, o MPE solicitou medidas para conter uma “enorme” erosão na saia da barragem, a qual teria sido provocada pelo rompimento de uma rede que capta o esgoto dos condomínios ao redor, a qual pode aumentar por conta das chuvas, típicas desta estação. 

“Veja, a época de chuvas mais fortes passou, mas vamos ter mais chuva ainda. E, a quantidade pode potencializar esses problemas, inclusive a erosão. E, até a gente pode vir a ter, infelizmente, o rompimento. Nós tivemos, na semana passada, o rompimento de uma barragem do porte da nossa aqui em Embu-Guaçu. E o rompimento traz consequências, inclusive de morte de pessoas”, alerta o promotor de Justiça.

Jurandir explica que, caso o rompimento ocorra no balneário prudentino, as proporções dos estragos podem ser desastrosas. “A barragem, o rio, o córrego da vazão do vertedouro dela, passa sob a Rodovia Raposo Tavares. O rompimento faria com que essa água passasse por cima da rodovia. Se têm carros transitando na hora ali, vão todos embora”, ressalta. “Então, a gente tem exemplos grandes, recentes, Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, são exemplos típicos de descuido, de falta de cuidado e de falta do plano de segurança de barragem”, complementa.

Ação civil pública

O promotor conta que ingressou com uma ação civil pública contra as prefeituras de Prudente e Machado, além da Sabesp, em 2023, depois que o MPE recebeu uma comunicação sobre a falta de um plano de segurança de barragem do balneário, que é obrigatório por lei. As partes chegaram a ser procuradas, mas não houve acordo, o que impossibilitou a formalização de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta).

“O juiz, então, determinou que os requeridos, as prefeituras e a Sabesp, providenciassem o que nós pedimos. A Sabesp contestou. Inclusive, agravou da decisão judicial, dizendo que ela não tem parte daquilo, que ela não tem nenhuma responsabilidade por esse plano de segurança de barragem. Só que a Sabesp tem uma bomba de captação lá, tirando água dia e noite do balneário, para vender para a população. Então, a Sabesp ganha dinheiro com aquilo”, argumenta Jurandir.

Por conta da ação e da situação, o promotor conta que a Prefeitura de Prudente, através da Secretaria do Meio Ambiente, marcou a vistoria da última sexta-feira, que contou com participação ainda de engenheiros da Defesa Civil. “Constatamos lá diversas irregularidades. Entre as mais preocupantes, a quantidade de árvores que nasceram e cresceram no chamado paredão, na barragem. Não pode ter árvore em barramento de água, a raiz dela aprofunda na terra e vai procurar a água. E, através dessa raiz, a água começa a minar, entrar no barramento, na terra, e começa a amolecer aquela região. Então, é um perigo”, descreve.

Além da erradicação de todas as árvores de toda a extensão da barragem pelos municípios, o MPE pediu à Sabesp providências em relação a erosão causada pelo rompimento da rede de esgoto em área da saia da barragem. “A erosão, a tendência dela é aumentar com a chuva. Ela vai subindo, vai desbarrancando. E isso precisa ser contido urgentemente para que não aumente aquilo em direção à barragem e comprometa toda a estrutura e a gente possa ter um rompimento”, frisa o promotor.

Plano em elaboração

Nesta quarta-feira, os Executivos de Prudente e Machado indicaram à reportagem que elaboram, em conjunto, um plano de segurança da barragem, que contará, possivelmente, com uma parceria da FCT/Unesp (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista).

“A Prefeitura de Prudente tem acompanhado atentamente a situação envolvendo a segurança da barragem do Balneário da Amizade, em conjunto com a Prefeitura de Álvares Machado. Na última sexta-feira, equipes das secretarias de Obras, Turismo, Meio Ambiente e Defesa Civil representaram o município em uma vistoria no local e, posteriormente, a administração municipal elaborou um ofício à Sabesp solicitando um posicionamento e providências quanto à erosão na base e intervenções na barragem”, indicou o município.

Já a administração machadense afirmou que a limpeza da vegetação dentro dos limites do município ocorrerá em breve, em consonância com as orientações da Divisão de Meio Ambiente da cidade. “A Prefeitura acompanha a situação do balneário de perto, tendo em vista a ação civil pública proposta pelo MPE. Sendo assim, está à disposição para quaisquer medidas cabíveis”, garantiu o Executivo de Machado.

Também procurada, a Sabesp, através da Assessoria de Imprensa na capital paulista, informou que, até a manhã desta quarta-feira, não tinha sido oficialmente notificada pelo MPE e pelas prefeituras sobre o teor da vistoria realizada na barragem do balneário. “Assim, não dispõe de informações formais sobre a inspeção mencionada. No que se refere à ação judicial em andamento, a companhia destaca que tem apresentado todas as informações e esclarecimentos solicitados pelo Poder Judiciário, sempre em observância às determinações processuais”, declarou.

“Por fim, importante destacar que a situação de erosão mencionada não decorre das atividades realizadas pela Sabesp, permanecendo a empresa à disposição dos órgãos competentes para prestar informações complementares, dentro dos limites de sua atuação”, concluiu a empresa.

Arquivo


“O rompimento traz consequências, inclusive de morte de pessoas”, alerta promotor de Justiça

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