Passageiros

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista a favor do linguado e contra o linguarudo

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 10/05/2022
Horário 05:30

Antevéspera do Dia da das Mães, quase onze e meia da noite de sexta-feira, e uma temperatura de 17°C lá pelos lados da rodoviária de Prudente, que mesmo àquela hora estava lotada de passageiros. Raras eram as vagas no estacionamento, uma prova do movimento intenso por causa do Dia das Mães no domingo, como é óbvio.
Dentro da rodoviária uma cena chamava a atenção na plataforma seis. Encostada na grade e sem tirar o olho do celular, uma mulher, com cara de menina, estava com seus dois filhos. Ela estava sentada naquele piso frio e amamentava um dos filhos, que aparentava ter pouco mais de 1 ano. Aliás, é uma cena bonita uma mãe amamentando o filho, mesmo num local público.
Pro meu gosto, fazia um frio de polo norte, mas isto são outros seiscentos. A mulher era boliviana e usava um shortinho. Sim, shortinho mesmo, desses sensuais que deixam coxas e pernas à mostra.
E ela continuava ali sentada sem tirar o olho do bendito celular, enquanto o filho menor "mandava ver" no peito da mãe. Ou seja: mamava com gosto. Vai ver estava com uma fome lascada. Mãe e filhos não usavam agasalhos, o que despertou a atenção de centenas de passageiros.
De repente, uma senhora tentou vestir uma blusa no garoto maior, de uns 4 anos, e deu rolo. O moleque não aceitou e começou a chorar e a gritar. Mais gente se aproximou, inclusive os dois policiais militares que fazem a segurança no local. Chorando pra cachorro, o menino estava descalço, como também estava descalço o irmãozinho dele, o que mamava com gosto.
Deu para ver que o chorão tinha um par de chinelinhos. Uma passageira tentou pôr os chinelinhos nos pés do moleque. Foi aí que ele ficou uma onça, brabo pra burro. Ele saiu correndo pela área da plataforma e foi um deus nos acuda. 
Poderia se machucar e coisa e tal. E a mãe nem aí, completamente impassível, o que levou uma senhora a recriminar baixinho a mulher, no estilo "cada mãe, hein?"
Depois das tentativas de vestir o casaquinho e calçar os chinelinhos, o menino, enfim, se aquietou. Deitou sobre uma mala e ali ficou à espera do ônibus que transportaria a família para Campo Grande. 
A família viajou nas "asas" da Andorinha e o Paulo Constantino pode doar a grana deste comercial para uma instituição de caridade. Por falar nisso, uma andorinha só não faz verão, mas faz a alegria do Paulo Constantino.

DROPS

Confirmado cientificamente: não há estrelas no céu da boca.

A situação continua RUÇA no Leste Europeu.

É como diz a cozinheira: "Alho por alho, dente por dente".

De noite todos os gatos são gatos mesmo.

Sem cerveja e carvão? Essencial Conveniência é a solução. Bebidas em geral e essências para narguile. Fone: 99144-4600. Av. Raimundo Nonato de Lima, 165. Ana Jacinta.
 

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