Perca gordura, não músculos

Jair Rodrigues Garcia Júnior

Quem entende um pouco de administração e economia sabe a diferença entre passivos e ativos. Os passivos são os bens que proporcionam despesas e os ativos são os bens que proporcionam rendimentos. No corpo, podemos comparar o estoque de gordura em excesso como passivo (prejuízos) e os músculos estimulados como ativos (benefícios).

FOCO NA PERDA
Como há muitas pessoas com excesso de gordura, o objetivo óbvio é diminuir a quantidade dessa reserva de energia. A solução “simples na teoria”, mas um tanto difícil na prática é provocar um desequilíbrio energético em favor do gasto. Para isso a pessoa diminuiu o consumo (dieta restritiva), aumenta o gasto (exercício ou medicamentos), ou faz ambos.
 
DIETA RESTRITIVA
Sim, esse tipo de dieta é eficiente para diminuir o excesso de gordura. No entanto, representa uma condição catabólica que provoca a quebra e perda de outras moléculas, além dos triglicerídeos armazenados nos adipócitos. No corpo temos também reservas de carboidratos (glicogênio) e temos a proteínas estruturais (ex. músculos) que, mesmo sendo funcionais, podem ser quebradas. Na prática, quanto mais restritivo é o consumo de calorias, maior é a quebra e perda das reservas e das proteínas funcionais.
 
MASSA MAGRA
Para fins de avaliação da composição corporal, há dois componentes: massa de gordura (tecido adiposo) e massa magra (outros tecidos e os órgãos). A massa magra varia de 70 a 90% do peso corporal e só os músculos perfazem 35 a 50% dessa proporção. Apenas os músculos podem alterar significativamente sua massa para mais ou para menos, pois a massa dos órgãos e outros tecidos dos adultos é estável. Acontece que, a perda de músculos pode afetar a função dos órgãos e sistemas fisiológicos em curto e médio prazo, em idosos e adultos jovens, respectivamente.
 
FOCO NOS MÚSCULOS
Quando o objetivo for a perda de gordura, mude seu pensamento e o foco. Coloque como prioridade estimular os músculos, pois mesmo que eles não aumentem em massa/volume, se tornam “gastadores” mais eficientes de calorias. Então, a gordura será queimada e os estoques diminuídos. Por outro lado, quando se faz dieta restritiva sem exercício físico, os músculos “acomodados” assumem um comportamento de “poupadores”. Por isso a perda de gordura é relativamente mais lenta.
 
RESTRIÇÃO MODERADA
Quando a restrição é severa (50% ou menos da necessidade energética diária) os processos catabólicos são mais exacerbados na quebra da gordura e dos músculos. Para evitar a perda de músculos é recomendável a restrição moderada na dieta (consumo de 80%) mais a prática de exercícios. Nesta condição, os exercícios de força podem induzir até mesmo pequenos ganhos de músculos, enquanto os exercícios aeróbios, alternados com os primeiros, aumentam a oxidação das gorduras.

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