PGJ reforça segurança após ameaças a autoridades

Cartas interceptadas na P2 de Venceslau indicam ordem de integrantes de facção criminosa para matar promotor de Justiça e coordenador da Croeste, caso pedido de transferência se concretize

REGIÃO - ROBERTO KAWASAKI

Data 11/12/2018
Horário 04:00
Arquivo - Cartas foram interceptadas com duas visitantes no último sábado, na saída de P2 de Venceslau
Arquivo - Cartas foram interceptadas com duas visitantes no último sábado, na saída de P2 de Venceslau

A PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça) criou ontem uma força-tarefa formada por cinco promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) para apurar a autoria de ameaças de morte contra o promotor Lincoln Gakiya e Roberto Medina, coordenador da Croeste (Coordenadoria das Unidades Prisionais de Região Oeste do Estado), reforçando medidas de segurança. As ordens teriam partido da facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios paulistas, e descobertas em cartas interceptadas na Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, P2 de Presidente Venceslau, no sábado. O governo do Estado de São Paulo, por meio da SSP (Secretaria de Segurança Pública), também garantiu a segurança das autoridades, que estão sob escolta policial.

Conforme informações da Assessoria de Imprensa do MPE, a força-tarefa e escolta reforçada foram anunciadas na tarde de ontem pelo procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Smanio, durante coletiva de imprensa na capital paulista. Segundo o órgão estadual, Gianpaolo frisou que “ameaças aos promotores são rotineiras, o que não inibe a atuação dos membros do ministério”. “Se sair um, a gente coloca outro. Há 2 mil promotores e procuradores e, se for o caso, todos vão agir contra o crime organizado”, declarou a autoridade.

Diante da ameaça da facção, o MPE emitiu uma nota de repúdio ao conteúdo da carta apreendida. “A PGJ vem a público manifestar o seu mais irrestrito apoio ao colega Lincoln Gakiya, ameaçado por uma facção criminosa em virtude do cumprimento diligente de suas atribuições”, e acrescenta que, mesmo com a ameaça, o órgão continuará trabalhando em defesa da sociedade paulista “de forma destemida”.

“Habituados a um mundo em que imperam a violência e a intimidação, esses criminosos desconhecem que tal comportamento não afastará o valoroso promotor e a nossa instituição de uma atuação pautada por um único objetivo: o cumprimento da lei. Lei que, aliás, pode e deve ser mais dura contra aqueles que lideram organizações criminosas”, salienta o órgão.

Barradas na penitenciária

Segundo informações repassadas pela SSP, as anotações de ordem foram interceptadas no sábado com duas mulheres, de 39 e 45 anos, após a saída das visitantes da P2 de Venceslau. No conteúdo das cartas, escritas em códigos, havia informações sobre o tráfico de drogas, com ordens de assassinato das autoridades, caso o pedido de transferência de 15 membros do grupo a um presídio federal seja concretizado.

Como noticiado por este diário, o documento é analisado pelo juiz Paulo Sorci, da 5ª Vara de Execuções Criminais de São Paulo (SP), que consultará o governador Márcio França (PSB) para que ele se manifeste contra ou a favor da remoção. Vale lembrar que o promotor Gakyia é um dos responsáveis pelo pedido de remoção.

Combate ao crime

Para garantia da segurança, a Secretaria de Segurança Pública informa que adotou, há algum tempo, “todas as providências necessárias ao impedimento de eventuais ações em Presidente Venceslau, incluindo a proteção da população local e do efetivo policial empregado na missão”. Tal medida também foi defendida pelo procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Smanio, em entrevista a este diário no dia 9 de novembro. Na ocasião, ele descartou qualquer indício de que a facção atentasse contra os agentes de segurança diante do pedido de transferência dos presos.

Em nota encaminhada a este periódico, a SAP afirma que tem combatido “diuturnamente” o crime organizado, em parceria com a inteligência policial e com o Ministério Público Estadual. Desta forma, salienta que, após a divulgação do possível plano de assassinato às autoridades, “estão sendo tomadas todas as providências para a manutenção da segurança dos servidores da pasta”.  Por questões de segurança, demais informações sobre a investigação não puderam ser fornecidas à reportagem.

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