Rota da cerveja artesanal em Prudente

PRUDENTE - THIAGO MORELLO

Data 30/11/2020
Horário 11:26
Foto: Divulgação
Do início cigano à fábrica própria
Do início cigano à fábrica própria

Há pelo menos oito anos, o gostinho variado de novas cervejas tem sido inserido no gosto da população prudentina, pelo menos pensando na originalidade de fábricas que aqui resolveram se instalar. Desde então, a rota da cerveja artesanal foi traçada em Presidente Prudente e, claro, também caindo no gostinho regional. Hoje, com o mercado mais consolidado, quem entende do assunto passou a apostar ainda mais no negócio e transformar o simples beber do líquido em uma verdadeira degustação.

E foi há mais ou menos oito anos, que a pioneira das fábricas abriu o mercado em Prudente. A Cervejaria Mago do Malte, que hoje produz cerca de 250 mil litros de cerveja a cada semestre, apostou na demanda naquela época, pois era o começo de uma era. A proprietária Sandra Regina Freitas explica ainda que, pelo fato de o marido já conhecer a produção de cerveja artesanal, e possuir experiência com bares, foi também que deram início na tendência.

E isso ocorreu há mais ou menos 30 anos. Luiz Carlos Freitas, marido de Sandra e também proprietário, conta que a oportunidade uniu com a vontade de fazer. Ele lembra que naquele momento “a cerveja artesanal era muito pouco conhecida, mas se especializando e conhecendo mais”, conseguiu esperar o tempo certo para colocar em prática, mas no mercado.

“A gente procura fazer o que o mercado pede em cada momento. E hoje, ele é muito mais acessível a esse tipo de gosto, ao paladar das cervejas especiais. Já produzimos, por exemplo, uma que era feita com pétalas de rosas, coisa que talvez, lá no começo, não seria tão aceita assim” pontua Luiz. Ele destaca ainda que foi do hobby à comercialização, e tudo isso “sem internet”, mas à base de livros.

E com ano após ano, a cervejaria já chegou a produzir aproximadamente 60 estilos diferentes de cervejas. “Isso se deu porque o gosto das pessoas também mudo de lá pra cá, pois aprenderam a apreciar mais cervejas especiais, estilos diferentes...”, destaca Sandra.

Mas, no início, ela não deixa de dizer que sofreram um pouco, assim como todos que abrem um novo negócio. “Nós no início sofremos como todo mundo. O amargor de uma cerveja com apenas água, malte, lúpulos e leveduras é diferente. Porém, o paladar vai aprimorando. E, a gente percebeu que o grande público também demonstrou que gostaria de algo diferente”, frisa.

Para Sandra, é difícil, hoje, prever uma expansão do negócio, em vista das dificuldades enfrentadas ao longo do ano de 2020.

Desce outra rodada!

O mercado caiu no gosto, tanto que abriu alas para outros nele apostarem. É o caso da galera da Cervejaria 018. O proprietário, Murilo Cassis, que também é engenheiro de alimentos e mestre cervejeiro, está na ativa desde 2017. E desde então, tudo tem sido um aprendizado, segundo ele, que vai até em apender nome dos diferentes estilos de cerveja a cativar o público com novos sabores. “No começo, e até hoje, a gente tem uma missão de levar a cultura da cerveja artesanal”, afirma.

Só que foi dando certo e crescendo. Hoje, a 018 é a primeira cervejaria que tem um bar integrado à fábrica. E o proprietário garante que sai de tudo, mas é claro, sempre tem os preferidos da galera. “O carro-chefe é o chopp claro, mas nossas especiais saem bastante, de modo que conquistou um ambiente muito legal. Levar esse gosto diferente do puro malte é uma questão de construção”, conta.

A aposta da vez está na nova linha de cervejas long neck, além da loja e-commerce. A expansão, de acordo com Murilo, tem acontecido gradativamente, até mesmo na região, mas o maior polo ainda é Prudente. E questionado sobre abrir outras sedes e até crescer de uma forma diferente, ele também entende que é difícil dizer após um ano como 2020. “Mas ,com tudo isso a gente aprendeu que precisamos trabalhar mais o cliente final”, conclui.

Da cigana à fábria dos sonhos!

O termo cervejaria cigana traduz o ato de alugar o espaço de um fábrica já existente, e, a partir dela, produzir. É simplesmente alugar o espaço de alguém, o que é muito comum para quem pretende iniciar a empreitada. E foi assim que começou a Cervejaria Suinga, em Presidente Prudente, lá em 2016, até que chegasse ao hoje, com fábrica própria.

Guilherme Dela Viuda Padua Ferreira, que é um dos sócios-proprietários, explica como tudo começou. Em três donos, eles já tinham em mente que gostaria de abrir a cervejaria, até porque um deles é engenheiro químico, formado com um TCC (trabalho de conclusão de curso) voltado para cervejaria. E depois de procurarem o Sebrae, com a ideia em mente de abrir o negócio, mas na capital paulista ou nas mediações de lá, ouviram que seria melhor começar em um local que já conheciam.

E foi assim que tudo rolou, uma vez que ele e um dos outros sócios são prudentinos. Hoje, com 11 tipos de cerveja no cardápio e com uma clientela consolidada, Guilherme explica que os planos de expansão, na verdade, se direcionam para fora da região.

Mas isso não quer dizer que não há novidades. Para dezembro, a fábrica pretende inaugura um bar alocado no própria espaço: o “Jardim Suinga”, com 90 lugares e oito torneiras, elaborado sob a arquitetura de um jardim, como diz no nome.

Além disso, a partir de 2021, a ideia, segundo ele, é cria novos produtos e, sendo assim, será lançado um novo sabor de cerveja todo mês. À reportagem, ele deu um spoiler do que está por vir logo em janeiro: uma cerveja de frutas vermelhas. “As pessoas vão buscando algo mais, e buscando cada vez mais qualidade. E o puro malte é tendência, pois trata-se de um público que prefere mais a naturalidade [sem químicos]. Não estão mais consumindo qualquer cerveja”, frisa.

Guilherme é acompanhado dos sócios Raphael Alexandre de Andrea Ribeiro e Larissa Penna Comanetti.


Linha da Cervejaria Mago do Malte


018 está instalada desde 2016 em Prudente

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