Stella Dallas, a mãe redentora

DignaIdade

COLUNA - DignaIdade

Data 06/10/2020
Horário 06:00

Barbara Stanwyck foi uma das mais talentosas e versáteis atrizes da história do cinema, com uma carreira de mais de 50 anos. Em 1937, ela recebeu a sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Atriz por “Stella Dallas, a Mãe Redentora”, um drama dirigido por King Vidor. Na trama, Stella é uma mulher simples que se casa com homem rico (John Boles), que logo abandona esposa e filha para voltar à antiga namorada. Stella se desdobra para criar a filha e fornecer tudo que a garota precisa. Quando adulta, a filha Laurel (Anne Shirley) se encanta com o estilo de vida do pai milionário e expressa o desejo de se reaproximar. Então, Stella finge se entregar ao alcoolismo para que a moça a deixe e vá viver com o pai. Tempos mais tarde, a filha se casa com um moço também da sociedade, e Stella assiste à cerimônia escondida através da janela da casa. Desta forma, nunca mais, mãe e filha conseguirão ultrapassar o abismo que foi criado entre elas. Dramalhão pungente que emocionou as plateias do mundo todo e confirmou o talento de Barbara. Foi refilmado em 1990 como Stella, com Bette Midler no papel-título. 


“Idoso cuidando de idoso”

Muitos idosos terão ao longo do processo de envelhecimento impactos significativos em sua funcionalidade global, ou seja, na capacidade de se autogerir. A independência e autonomia dos idosos sofrem influências de diversos fatores fisiopatológicos, sociais, econômicos e culturais, e um grande número de pessoas necessitarão de apoio ou cuidados contínuos para a realização de suas atividades básicas e instrumentais da vida diária. Os processos demenciais, a fragilização orgânica, a imobilidade e restrição ao leito são fatores determinantes de prejuízos impactantes em tal funcionalidade. A grande maioria destes idosos não apresenta condições sociais e econômicas de serem conduzidos por cuidadores, tanto profissionais como informais e dependerão única e exclusivamente do apoio de seus próprios familiares. A insuficiência familiar pode ser um grande provocador da necessidade de que estes idosos tenham que ser cuidados por outros idosos (muitas vezes em condições comparativamente melhores, mas não adequadas). Na expressividade dessa insuficiência, não influem apenas a inexistência de descendentes (idosos solteiros ou sem filhos), mas também a falta de vínculo afetivo com seus parentes, o descaso de muitos familiares e a falta de tempo para tais cuidados (uma vez que os mais jovens estão envolvidos com o mercado de trabalho e obrigações). Desta forma, acaba restando o próprio cônjuge ou algum parente também idoso que também apresenta suas próprias fragilidades e dificuldades. Além de ser tarefa árdua, somam-se a ela outros fatores como o esgotamento físico e emocional, o aprisionamento conjunto com a redução da sua própria mobilidade por esta abdicação e a constatação que na maioria das vezes é uma tarefa contínua e que tende a se agravar com o tempo. A saúde de um cuidador idoso é muito mais impactada do que um cuidador jovem, com impactos físicos, psicológicos e sociais. Bem comparando com a definição de sertanejo por Euclides da Cunha, um idoso cuidador é antes de tudo um forte. 

Dica da Semana

Filmes

“A Juventude”:
Itália. 2015. Direção: Paolo Sorrentino. Elenco: Michael Caine, Harvey Keitel e Jane Fonda. Dois amigos próximos dos 80 anos estão hospedados em um hotel ao pé dos Alpes, um músico aposentado e outro diretor de cinema ainda em atividade. Juntos, eles lembram momentos importantes de suas vidas e paixões. Filme lírico, belíssimo que encanta pela poesia e simplicidade. 
 

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