Tão Maior

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista que mora numa nave chamada Terra (aliás, você também mora)

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 03/05/2022
Horário 05:30

Não conheci pessoalmente o Tão Gomes Pinto (ele morreu na semana passada), mas por um desses mistérios da vida acabamos nos encontrando graças ao correio eletrônico, vulgo e-mail. Mandei para ele algumas colunas e, gentilmente, ele respondeu com elogios e me aconselhou a ir pro Facebook. "Sandro, leva tuas crônicas pro Facebook", sugeriu.
Talvez por ser relapso não fiz o que o Tão me recomendou e me arrependo por isso. Deveria ter acatado o seu conselho. Confesso que estou meio perdido na tal de era digital. Aliás, estou mais perdido do que candidato em queda na pesquisa. Se me permitem outro exemplo comparativo, estou mais perdido do que o Brasil no 7 a 1 contra a Alemanha. Preciso aprender mais sobre informática, internet e o escambau.
Ainda sobre a troca de figurinhas com o Tão, lembro-me de uma frase dele que, para mim, é uma verdadeira injeção de ânimo, injeção que, aliás, os farmacêuticos não aplicam e isto é apenas um chiste deste aristocrata e charmoso cronista. Disse o Tão: "A tua palavra me anima". 
Eu incentivando o Tão Gomes Pinto? Bondade dele. A palavra desse grande jornalista é que me anima. Desde então, quando me lembro, acrescento a frase nas mensagens para meus milhares de amigos e uns três inimigos, cuja existência desconheço.
Um incentivo, uma força para quem precisa e, até certo ponto, lembra as palavras do diretor Jorge Fernando quando dirigia os atores nas novelas e nas peças de teatro. "Vai lá e brilha", dizia o diretor. Evidente que, com tal incentivo, os atores se desdobravam e produziam muito mais. 
Há um fato hilário envolvendo o Tão. Ele era editor e repórter da ISTOÉ e foi escalado para entrevistar ninguém menos do que $ílvio $antos, o dono do SBT. Se não me falha a cachola, ele foi recepcionado na sede da emissora pelo então diretor artístico Luciano Gallegari, que, por falar nisso, era bem parecido fisicamente com o jornalista, quase um sósia do Tão.
 Naquela época, a audiência do SBT crescia mais do que a inflação no governo do presifake Riaj (leia de trás pra frente) e comentava-se à boca grande mesmo que a Globo temia perder a liderança de audiência. $$ não era enforcado, mas estava com a corda toda. Era uma pedra no sapato do nosso companheiro redator-chefe Roberto Marinho, dono da Globo e, óbvio, do Brasil.
Terminada a entrevista, Callegari procurou o Tão Gomes e perguntou se ele não tinha ficado emocionado por entrevistar $ílvio $antos. "Não", respondeu o jornalista com um clássico monossilábico. Um jornalista do quilate do Tão Gomes Pinto se emocionar após entrevistar alguém, mesmo sendo $$? 
Tão não se prestava a esse papel, o de tiete, e cá entre nós, repórter que é repórter não deve dar uma de tiete durante uma conversa com celebridades, a não ser que o entrevistado seja Jesus Cristo, Buda ou o próprio Deus.

DROPS

Provado cientificamente: a barriga da perna não tem intestino.

Panela velha também faz gororoba.

José Leôncio e Tenório bebem muita cachaça no Pantanal. Desse jeito o telespectador vai ficar bêbado.

2022 são três patinhos na lagoa com uma bola no meio.
 

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