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Tapa do papa

Há dias que perguntamos assim: “Por que saí de casa, tudo deu errado?”. Falamos demais, comemos demais, agimos por impulso e quebramos a “cara”. Uma vez que jogamos um saco de penas ao vento, jamais conseguiremos recuperá-las. Muitas vezes imaginamos que os padres, bispos, arcebispos, papas, etc., são figuras míticas e seguem sobrevivendo permanentemente em jejum ou de alguma luz provendo tudo.

O papa Francisco deu tapa na mão de uma fiel que o puxou na Praça São Pedro. Mil paparazzi controlando até sua respiração. Ufah! Que roubada! Milhões de boas ações caíram por terra por um único impulso de “mau exemplo” como ele mesmo referiu-se, ao seu ato. Pediu desculpas por ter perdido a paciência. Com certeza, tomara que não, será estereotipado, rotulado ou lembrado pelo estigma, “papa do tapa”.

O ser humano não perdoa o próprio ser humano. Sigmund Freud fala das fantasias e de simbologia e diz que já na tenra infância, a criança quer tomar a própria mãe como sua esposa. E o menino exige que a mãe seja somente dele e “odeia” o pai. E a menina deseja o pai e quer afastar a mãe para bem longe, para assim, ficar com seu pai.

O famoso Complexo de Édipo Universal em que todos nós, sem distinção, elaboramos conforme vamos nos transformando. Alguns não elaboram. Em observação e no aprender com a experiência, na teoria, prática e método, constatamos toda cientificidade de sua fala. Isso em 1897, imaginam! Como foi criticado! Quantas vezes pensamos ou imaginamos, trucidando alguém pelo pescoço.

Daí, o superego, instância da crítica, censura e juízo a postos, segue nos paralisando. Somos neuróticos, pois postergamos, evitamos, adiamos, não fazemos tudo que queremos. Reprimimos nossos desejos para poder viver melhor em sociedade. É a civilização e o seu bem e ao mesmo tempo, mal estar. Para viver em sociedade, reprimimos o tempo inteiro.

Bem no “vermelho, o semáforo pede para parar, quando queríamos seguir em frente”. E assim, muito dos nossos sintomas são as nossas ações postergadas e evitadas. E as atuações (acting-out), como essa do papa Francisco, são frutos da contenção e repressão por ser uma figura pública que representa perfeição. Sabemos que perfeição é impossível.

Ele é papa, mas humano antes de qualquer julgamento. Claro que foi muito infeliz dando tapa na mão e de uma mulher. Não podemos dar tapas nas mãos de qualquer pessoa. Para isso, existe o diálogo. Ele afirma que fez análise durante um bom tempo de sua vida. Aconselho a retornar para análise, pois poderá expressar num continente especializado, toda nossa estranha e, ao mesmo tempo familiar, forma primitiva de fantasias, pensamentos e impulsos. 

 

 

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